O advogado Victor Almeida Martins foi preso em Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio
Um policial e um advogado foram presos, nesta terça-feira, por policiais Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e de Inquéritos Especiais (Draco-IE) e por promotores do Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ). A dupla é suspeita de integrar um esquema responsável por repassar informações sigilosas para a maior milícia do Rio.
Um dos presos na ação foi o oficial de cartório da Polícia Civil Kaio Portêlo Porto. Segundo a investigação, o agente teria feito 19 consultas ao banco de dados informatizado da corporação para vazar depoimentos de testemunhas, conteúdo de inquéritos, mandados de prisão de caráter sigiloso, e operações policiais que tinham como alvo o bando de Luís Antônio da Silva Braga, o Zinho.
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Preso no último dia 24 de dezembro após se apresentar na sede da Polícia Federal, na Praça Mauá, Zinho chefiou a milícia por quase três anos. Ele substituiu no comando da quadrilha o irmão Wellington da Silva Braga, o Ecko, morto após trocar tiros com a polícia, em junho de 2021. De acordo com denúncia do MPRJ, as informações foram repassadas por Kaio, no período entre setembro de 2020 e julho de 2022, para o advogado Victor Almeida Martins. Este último, por sua vez, era o encarregado de encaminhar o material vazado para a quadrilha de Zinho. Segundo a mesma investigação, o advogado chegou, inclusive, a participar de uma reunião com milicianos para planejar a morte de um delegado e de um investigador, responsáveis por investigar o grupo paramilitar da Zona Oeste. O duplo assassinato, no entanto, não chegou a acontecer. Victor e Kaio tiveram as prisões preventivas decretadas após terem sido denunciados pelo MPRJ por crimes de integrar organização criminosa e por violação de segredo funcional. O primeiro foi detido em Jacarepaguá, na Zona Oeste, e o segundo na Tijuca, na Zona Norte. A ação, chamada de Operação Leaks, cumpriu ainda três mandados de busca e apreensão no Centro do Rio, em Barros Filho, na Zona Norte, e em endereços ligados aos denunciados. Foram apreendidos telefones celulares e itens eletrônicos que serão periciados em busca de novas provas contra os dois suspeitos presos nesta terça-feira.
— É uma operação importante para cessar o fluxo de informações sigilosas à milícia. Aquelas informações que prejudicam inúmeras diligências e inúmeros cumprimentos de atividades policiais rotineiras. É importante atentar que não se trata de uma consulta específica (ao banco de dados). São consultas sistemáticas, de vazamentos cotidianos e rotineiros — disse o delegado João Valentim, da Draco.
Uma das consultas feitas ao banco de dados da polícia para repassar informações privilegiadas à milícia é detalhada na denúncia do MPRJ. No dia 12 de março de 2022, o advogado conversa por aplicativo de mensagens com Rodrigo dos Santos, o Latrell, na época o número 2 na hierarquia do bando de Zinho. Na ocasião, Victor informou ao miliciano que faria contato com um policial civil que trabalhava para ele, visando obter tudo o que tem e o que não tem, incluindo teor de processos que tramitavam sob segredo de justiça. " Então, meu irmão, vamos lá. Joguei aqui o sistema e não achei nada. Joguei pelo teu CPF e não achei nada. Até mandei pro polícia que trabalha pra mim. Pra ver isso e tô só aguardando ele responder e te mando aí...", disse o advogado num primeiro áudio enviado ao paramilitar.
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Ele volta ao assunto, em seguida, num segundo áudio complementar, enviado a Latrell na mesma ocasião. " Agora assim...essa minha pesquisa ela é um pouco limitada no sentido de...no seguinte, por exemplo: processos que tramitam sob segredo de justiça eu não consigo checar, entendeu? Então, assim, é melhor que eu espere a posição do amigo, que eu te falei que é policial civil. Ele vai jogar no sistema da Polícia Civil e vai puxar tudo o que tem e o que não tem.." disse o advogado na mesma mensagem.
Fonte: Extra