A cidade de SP receberá, pela 1ª vez, uma partida da NFL. Praticantes contam ao Metrópoles os desafios e dificuldades do esporte no país
A cidade de São Paulo vai receber, pela primeira vez, um jogo da Nations Football League (NFL), liga responsável pela administração do campeonato de futebol americano dos Estados Unidos. O jogo acontecerá na próxima sexta-feira (6/7), na Neo Química Arena, zona leste da capital, e pode representar um novo marco da modalidade no país.
O futebol americano ainda não pode ser considerado um esporte predominantemente profissional no Brasil, visto que são raros os casos de atletas que recebem dinheiro pela prática — e até quem é remunerado não ganha o suficiente para viver da categoria. Porém, em São Paulo, o amor pelo futebol americano move alguns praticantes.
É o caso de Matheus Silva, de 26 anos, conhecido como Casagrande — a cabeleira semelhante à do centroavante corintiano dos anos 80 não deixa dúvidas sobre a origem do apelido. O jogador atua no mesmo time do xará, mas em outra modalidade: no Corinthians Steamrollers.
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Apesar de carregar o nome de um dos grandes clubes do estado, os Steamrollers não recebem muitos auxílios da equipe alvinegra. A ajuda se limita à oferta do campo para treino, além do uso do nome.
Casagrande contou ao Metrópoles que jogar futebol americano é muito caro no país. Os equipamentos, como proteções para ombros, peito, costas e cabeça, além de chuteiras e até os aluguéis de campo para jogar, são pagos com o dinheiro dos próprios atletas.
O time disputa, entre outras competições, o Campeonato Paulista e o Campeonato Brasileiro. Para participar de alguns jogos, os atletas precisam viajar e, quase sempre, assumem as despesas com transporte.

Além do alto custo, achar um campo para jogar futebol americano também é um obstáculo. Segundo Casagrande, são raras as equipes que possuem um local adequado para jogo. No caso dos Steamrolllers, o clube Corinthians cede o campo do Parque São Jorge. Porém, após a pandemia, uma reforma que incorporou o gramado sintético ao local fez com que algumas equipes do cenário paulista se recusassem a jogar no campo por não terem chuteiras adequadas.
Apesar das dificuldades, o atleta contou que continua jogando futebol americano por amor ao time e como um forma de se distrair da rotina:
“O principal motivo é o amor ao time. Além disso, praticar o esporte é como se fosse uma terapia também. Às vezes, em uma semana carregada, você vai lá e tem um treino ou um jogo e acaba esquecendo os problemas. É uma junção das duas coisas”.
O linebacker, posição de defesa do futebol americano responsável por marcar o meio do campo, afirmou que conheceu a modalidade ao assistir a NFL em 2015. Disse, ainda, que começou a praticar futebol americano quando, junto com um amigo, ficou sabendo de uma seletiva no Corinthians Steamrollers. Foi aprovado de primeiro, mesmo sem nunca ter contato com uma bola de futebol americano anteriormente.
Ele acredita que outros casos tenham sido semelhantes e que a presença de um jogo de temporada regular na cidade poderia impulsionar ainda mais o interesse na modalidade:

“Não só em São Paulo, mas em todo o Brasil vai ter um aumento de procura. Porque [o esporte] vai vir para um público que realmente não conhece. É um esporte novo e, quem gostar, com certeza vai procurar e descobrir bastante coisa por ele”, afirmou Casagrande.
Esse otimismo não é à toa. Em conversa com a reportagem, Gustavo Pires, CEO da SPTuris, órgão da Prefeitura de São Paulo responsável pela organização do jogo na cidade, afirmou que o Brasil aparece como segundo maior consumidor de futebol americano fora dos Estados Unidos, ficando atrás apenas do México. “Acredito que em dois anos passaremos o México, ainda mais com a vinda do jogo para cá”, afirmou.
Ainda de acordo com Gustavo, 30% desse público mora na capital paulista — o que, segundo ele, faz com que São Paulo lidere o hemisfério sul global quando o assunto é interesse na NFL.
O evento, que começa na próxima sexta e termina no domingo, deve movimentar cerca de 100 mil pessoas nos três dias, sendo 10 mil estrangeiros.
Além do futebol americano, a parceria entre NFL e Prefeitura abrange o flag football, modalidade olímpica a partir de 2026 e que se difere do futebol americano principalmente ao limitar o contato entre os jogadores. A administração municipal já aplica nas escolas públicas algumas ações relacionadas ao esporte e a liga norte-americana realiza oficinas e proporciona campeonatos mirins pela cidade.

Fotos: Reprodução / Yssara Kauanne
Ao contrário do futebol americano, no flag não há necessidade de derrubar o atleta rival para parar a jogada, apenas retirá-lo com uma fita, nomeada de flag. Por conta da diminuição de contato, as proteções nos ombros, peito, pernas e cabeças não são necessárias, o que acaba reduzindo os custos da prática. Esse dois fatos fazem com que a modalidade seja procurada por mais pessoas.
Dividido em categorias de 5 contra 5 e 8 contra 8, a modalidade também aparece em São Paulo com equipes masculinas e femininas. Assim como no futebol americano “full pad”, como é chamada a categoria tradicional, o cenário paulista também aparece como o mais relevante dentro do flag. Pelo menos é o que diz o treinador da equipe de flag da Universidade Federal do ABC (UFABC), Guilherme Spinelli, de 26 anos.
No comando do Green Reepers Football, nome da equipe, desde 2022, Spinelli traz como exemplo de que o campeonato de flag em São Paulo é o mais forte o fato de outras equipes, como o Vasco, disputarem o torneio mesmo sendo de outros estados.
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Como uma das funções de um treinador de equipe de flag e de futebol americano, Spinelli precisa desenhar jogadas para os seus atletas executarem durante as partidas. Ao Metrópoles, ele revelou que fica responsável mais pela parte defensiva da equipe e que para pensar nas jogadas se inspira muito no estilo de defesa do seu time de coração na NFL, o Carolina Panthers. Além disso, ele revelou que busca estudar o que Sean McDermott faz no cargo de treinador do Buffalo Bills.
Fonte: Metrópoles