Em um mundo com cerca de 50.000 espécies de aranhas, a maioria delas é solitária e até canibal, mas algumas se destacam por seu comportamento social ou subsocial. Cientistas investigaram as diferenças entre essas aranhas e suas contrapartes solitárias, revelando paralelos genéticos intrigantes com outras criaturas sociais.
O professor Alexander Mikheyev, da Universidade Nacional da Austrália, observa que os animais sociais geralmente possuem cérebros maiores para armazenar informações sobre seu ambiente social e físico.
No entanto, as aranhas não têm cérebros e, em vez disso, possuem neurônios distribuídos por seus corpos. Mikheyev e seus co-autores descobriram que as aranhas sociais têm sistemas nervosos mais desenvolvidos em comparação com seus parentes solitários.
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O comportamento social em aranhas é de particular interesse para os pesquisadores porque, embora raro, evoluiu independentemente várias vezes. Em contraste, a sociabilidade evoluiu apenas duas ou três vezes dentro das abelhas.
O exemplo mais famoso de sociabilidade em aranhas é encontrado no Kalahari, onde grandes colônias constroem teias enormes. Outro exemplo é o Delena cancerides, cujas mães protegem seus filhotes, exibindo um comportamento subsocial.
Mikheyev e sua equipe investigaram a genética de 22 espécies de aranhas sociais e subsociais, descobrindo que certos genes geralmente sofrem mudanças associadas à sociabilidade. Por exemplo, substituições no gene Bromodomain-containing protein 4 foram encontradas em cinco espécies sociais e duas subsociais, muitas das quais não estavam intimamente relacionadas.
Essa descoberta contrasta com pesquisas genéticas em insetos, onde há pouca sobreposição nos genes relacionados à evolução social em diferentes linhagens de abelhas.
As espécies de aranhas sociais geralmente experimentaram uma evolução molecular mais rápida em todo o seu genoma em comparação com as contrapartes não sociais, o que os autores atribuem à endogamia e proporções sexuais tendenciosas. Curiosamente, um gene que passou por seleção intensificada em aranhas sociais é o Autism susceptibility candidate 2, conhecido pelos efeitos de suas variantes em camundongos e seres humanos.
Embora alguns animais se tornem sociais para caçar juntos, Mikheyev diz que as aranhas-de-caça australianas, que vivem em colônias sob a casca de acácias, não caçam juntas, mas já foram observadas compartilhando refeições com seus vizinhos. Ele explica que a sociabilidade das aranhas é mais sobre tolerância do que cooperação, o que ainda é um passo significativo, considerando a agressividade natural das aranhas.
A sociabilidade pode evoluir por várias razões, como compartilhar informações sobre predadores ou recursos alimentares dentro de uma colônia. No entanto, Mikheyev acredita que as aranhas estão mais propensas a aproveitar recursos limitados, como locais de nidificação.
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Esta pesquisa fascinante sobre a sociabilidade e genética das aranhas está disponível em um artigo de acesso aberto na revista Nature Communications.
Fonte: Mistérios do Mundo