O blogueiro bolsonarista Allan dos Santos, foragido da Justiça brasileira desde 2022 e que hoje vive nos Estados Unidos, para onde fugiu a fim de evitar a cadeia, é o administrador do grupo “Grande Família”, no Telegram, que com mais de 30 mil inscritos propagou áudios de convocação para que apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) comparecessem à Praça dos Três Poderes, em Brasília, no último dia 8 de janeiro.
Segundo reportagem publicada nesta sexta-feira (7) pela Agência Pública, as mensagens foram disparadas apenas 4 dias antes da patética intentona golpista.
“Vamos pra frente do Congresso, pra frente do STF (…) É lá que retomaremos nosso país. Você, homem, você que quer lutar pelo único restinho que resta do seu país, Brasília é o local”, diz o áudio.
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Na mensagem o autor se identifica como sendo Renato Gasparim (Republicanos), que concorreu a deputado estadual pelo Paraná nas últimas eleições. A gravação também avisa aos golpistas de que teriam a disposição transporte gratuito para irem à capital.
À própria Agência Pública, Gasparim reconheceu ser o autor da mensagem. No entanto, alega que o áudio é de novembro e que nele estava fazendo uma convocação para a chamada Marcha da Liberdade, que bolsonaristas organizaram no Congresso Nacional. No entanto, foi verificado que o envio das mensagens partiu do seu telefone naquela data e, no próprio dia 8 ele fez uma publicação no Instagram convocando outros golpistas para a “tomada do Congresso agora."
Gasparim atuou como assessor do vereador Eder Borges (PP) em Curitiba até o final de 2021, o mesmo que fez uma fala racista a respeito do Hip Hop, com ataques a Renato Freitas, e depois tomou uma bela invertida.
“O que tínhamos para fazer no Exército foi feito, agora é hora de darmos um passo atrás, se reorganizar e partir pra retomada do nosso país. Onde será feito isso? Em Brasília. Isso será feito em Brasília. É lá que iremos se juntar [sic] com 2 milhões de pessoas. Toda essa mobilização já está sendo feita em todo o país, aqui em Curitiba, aqui no Paraná. Estamos organizando ônibus para ir para Brasília”, completou Gasparim no áudio enviado ao grupo.
O grupo administrado por Allan dos Santos segue ativo no Telegram e, além das convocações para o 8 de janeiro, também planejou os ataques de depredação de 12 de dezembro que buscaram tumultuar a diplomação do presidente Lula (PT). De acordo com a apuração, o grupo ainda incitou acampamentos em quarteis e planejava grandes manifestações contra as eleições entre 18 e 19 de dezembro.
A ideia seria repetir as manifestações realizadas em 7 de setembro de 2021 e 2022, momentos em que o então presidente Bolsonaro levou centenas de milhares de apoiadores às ruas e endureceu seu discurso contra o ministro Alexandre de Moraes e as atuações do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Superior Tribunal Eleitoral (TSE).
ALLAN DOS SANTOS
O usuário @allansantosbr é o mesmo verificado pelo STF. Além de ser administrador do grupo “Grande Família”, o bloqueiro bolsonarista também administra o grupo “Supremo é o Povo”. Neste segundo, postou notícias sobre a invasão do Congresso Nacional durante os acontecimentos. Na mesma data, Allan dos Santos fez uma live durante os ataques. Ele negou ser administrador dos grupos.
Allan dos Santos é investigado nos inquéritos das fake news e dos atos antidemocráticos com ataques às instituições que tramitam no STF. Em outubro de 2021, o ministro Alexandre de Moraes emitiu ordem de prisão contra o blogueiro e determinou, como manda a lei, que o Ministério da Justiça, à época comandado por Anderson Torres, realizasse sua extradição - colocando o blogueiro, de forma oficial, no status de foragido.
O Ministério da Justiça de Bolsonaro, no entanto, não deu início ao processo, revelando uma possível proteção ao aliado do então presidente. Tanto é que Allan dos Santos, apesar das decisões judiciais, seguiu e segue morando nos EUA e continua divulgando fake news e incitando atos antidemocráticos, crimes pelos quais é investigado.
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Em novembro de 2022, o ministro Alexandre de Moraes determinou o cancelamento do passaporte do blogueiro. Sem o documento, ele não pode deixar os EUA sem ser preso e não consegue realizar qualquer tipo de cadastro ou dar andamento em burocracias. Se for flagrado por qualquer autoridade estadunidense, pode ser deportado ao Brasil.
Fonte:Revista Fórum