Governo de Kiev tenta reverter os questionamentos a novos pacotes de ajuda, enquanto os russos querem ao menos manter as posições conquistadas desde fevereiro de 2022
Em uma sexta-feira de dezembro de 2021, o chanceler russo Sergei Lavrov apresentava uma “lista de demandas” para, segundo ele, reduzir as tensões na Europa. Os itens incluíam a redução do número de tropas da Otan no Leste Europeu e, no tema mais sensível, o veto permanente à entrada da Ucrânia na aliança militar. Na ocasião, a Rússia negava que iria invadir o país vizinho, algo que efetivamente fez semanas depois da apresentação da lista de Lavrov.
Nestes quase dois anos (sem contar o conflito localizado no Leste ucraniano desde 2014), a invasão russa provocou mudanças no mapa ucraniano. As forças de Moscou ainda ocupam pouco menos de 20% do território do país vizinho, apesar de terem perdido o controle de áreas como Kherson, no Sul. Kiev esperava que a contraofensiva iniciada na primavera de 2023 trouxesse mais vitórias, mas elas se tornaram cada vez mais raras.
Em conversa com o GLOBO, Daniela Secches, professora do Departamento de Relações Internacionais da PUC Minas, destaca que os russos, ao mesmo tempo em que tentavam avançar em pontos estratégicos, fortaleceram suas linhas de defesa. Isso fez a diferença em 2023, e pode continuar a fazer em 2024.
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Isso eles fizeram de maneira muito impressionante, alguns centros de estudos no Ocidente falam em algo que nunca havia sido visto desde o fim da Segunda Guerra Mundial, tamanha a estrutura de defesa em um território ocupado — destacou Sechhes.Combates como os de Bakhmut e Adviivka, ambas em Donetsk, se arrastam por meses, a um custo poucas vezes visto em guerras modernas. Em Bakhmut, o número de mortos é contado em dezenas de milhares dos dois lados. Em Adviivka, mais de dois mil soldados morreram nas primeiras horas de combate. Nos mapas, são avanços de alguns quilômetros (ou metros) em solo controlado pelas forças inimigas.
Com a chegada do inverno no Hemisfério Norte, a tendência é de que os combates sejam mais escassos, como ocorreu no ano passado. Isso não significa que a guerra entrará em uma espécie de pausa, mas sim que as ameaças e desafios serão diferentes, especialmente para os ucranianos.
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Como a Rússia tem uma força maior, ela poderá ganhar uma vantagem nesse fim de ano. Talvez com uma nova ofensiva de ataques a infraestruturas críticas, como o sistema de aquecimento, para forçar a população a passar por um inverno mais rigoroso — afirmou ao GLOBO Raquel Missagia, professora colaboradora de Relações Internacionais na Universidade Federal Fluminense. — Também pode haver uma queda do engajamento das pessoas e uma queda do moral das tropas.
Fonte: Uol