Presidente do PL, que já comandava a sigla à época, agora recrimina participação do correligionário José Alencar como vice do petista em 2002
Comandante do PL, Valdemar Costa Neto voltou a usar as redes sociais para comentar a repercussão dos elogios feitos por ele ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em entrevista concedida no fim do ano passado, que viralizou entre governistas e bolsonaristas, o dirigente partidário classificou o chefe do Executivo como uma "figura extremamente popular", comparando-o ao antecessor Jair Bolsonaro, que, segundo ele, não teria mesma característica. Desta vez, porém, Valdemar fez questão de frisar que Lula, embora "popular no passado", "não chega aos pés do que o Bolsonaro representa".
Na nova postagem, Valdemar também reafirmou que "o PL escolheu o presidente Bolsonaro", em um movimento tratado como "irreversível". "Mas o que me deixou muito feliz foi o presidente Bolsonaro ter me escolhido também, porque isso mudou a minha vida e a do PL", afirma o presidente da legenda no vídeo. Na sequência, a gravação mostra Valdemar enumerando exemplos do que ele trata como "velha política".
— A velha política já presenciou o Haddad (Fernando Haddad, hoje ministro da Economia) e o Maluf (Paulo Maluf, ex-prefeito de São Paulo) juntos. O Roberto Freire (ex-deputado federal e ex-senador), comunista, se aliou a candidaturas de centro-direita. O José Alencar, um político mais liberal, se aliou ao Lula para contrapor o governo do FHC (Fernando Henrique Cardoso). Antes era assim — discorreu o dirigente.
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O acordo que levou José Alencar, morto em 2011, a ocupar a posição de vice na chapa de Lula em 2002, contudo, passou pelo próprio Valdemar. O empresário integrava as fileiras do mesmo PL que hoje abriga Bolsonaro, já presidido pelo cacique à época — após uma fusão com o Prona, o partido chegou a se chamar PR por pouco mais de uma década, mas acabou retomando o uso da antiga sigla em 2019.
A costura envolvendo Alencar, repetida quatro anos depois, representava uma tentativa de Lula acenar a eleitores mais conservadores. Voz ativa no governo durante os dois primeiros mandatos do atual presidente, de 2003 a 2010, Valdemar chegou a participar da indicação do Ministério dos Transportes, Anderson Adauto, entre outros momentos de protagonismo na gestão.
— Mas com o Bolsonaro tudo mudou. Por meio dele e do que ele representa, o conservadorismo ganhou espaço. O sentimento de amor pelo Brasil tomou conta das ruas, e o PL entendeu isso e se posicionou imediatamente para a direita, porque esses são nossos valores — pontuou Valdemar na postagem desta terça-feira.
Em 2018, Bolsonaro candidatou-se — e venceu — à Presidência pelo PSL, mas rompeu com a sigla por divergências internas. Após longa especulação, o então presidente acabou ingressando no PL em 2021, com vistas à disputa pela reeleição no ano seguinte, na qual acabou derrotado. No vídeo, Valdemar buscou diferenciar a entrada de Bolsonaro na legenda de acordos firmados no passado.
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— Me criticaram porque eu disse que o atual mandatário era popular no passado, mas não chega aos pés do que o Bolsonaro representa. E se no passado os partidos se aliavam em busca de poder político, hoje nos aliamos em busca de propósito. E o meu propósito é defender os valores que o Bolsonaro despertou em todos nós — assegurou.
Fonte: O Globo