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Após pressão do governo de Mato Grosso, Ibama e IPHAN liberam obra no Portão do Inferno
Foto: Reprodução

Órgão ambiental optou por licenciamento simplificado. Retaludamento vai atingir sítio arqueológico e alterar paisagem do Parna da Chapada dos Guimarães

Após três meses de intensas discussões entre os governos federal e do estado de Mato Grosso, os órgãos ambientais federais e de patrimônio histórico concordaram com a realização do retaludamento do paredão rochoso localizado na entrada do Parque Nacional da Chapada dos Guimarães (MT), conhecido como Portão do Inferno.

 

O processo, no entanto, está marcado por questionamentos e falta de transparência por parte do governo de Mauro Mendes (União Brasil).O Portão do Inferno é um paredão rochoso constituído, ao longo de milhares de anos, por três formações geológicas. As primeiras rochas, na base do paredão, são do Grupo Cuiabá e possuem entre 1 bilhão e 500 milhões de anos.

 

O segundo grupo de rochas são da Formação Furnas, de quando a área era coberta pelos oceanos, algo entre 410 e 360 milhões de anos atrás. A terceira, composta pelos arenitos vermelhos que hoje são mais visíveis quando se passa ao lado do paredão, é da Formação Botucatu, com 150 a 140 milhões de anos.

 

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Após três meses de intensas discussões entre os governos federal e do estado de Mato Grosso, os órgãos ambientais federais e de patrimônio histórico concordaram com a realização do retaludamento do paredão rochoso localizado na entrada do Parque Nacional da Chapada dos Guimarães (MT), conhecido como Portão do Inferno. O processo, no entanto, está marcado por questionamentos e falta de transparência por parte do governo de Mauro Mendes (União Brasil).

 

O Portão do Inferno é um paredão rochoso constituído, ao longo de milhares de anos, por três formações geológicas. As primeiras rochas, na base do paredão, são do Grupo Cuiabá e possuem entre 1 bilhão e 500 milhões de anos. O segundo grupo de rochas são da Formação Furnas, de quando a área era coberta pelos oceanos, algo entre 410 e 360 milhões de anos atrás. A terceira, composta pelos arenitos vermelhos que hoje são mais visíveis quando se passa ao lado do paredão, é da Formação Botucatu, com 150 a 140 milhões de anos.

 

Foto: Reprodução

 

Nos anos 2000, a estrada que liga Cuiabá a Chapada dos Guimarães foi pavimentada, ganhando o nome de MT-251. No trecho que passa pela lateral do Portão do Inferno foi construída uma ponte, exatamente na divisa entre as formações Furnas e Botucatu. A área, que geologicamente já era propícia para deslizamentos e descolamento de rochas, ficou ainda mais vulnerável com o intenso tráfego de veículos.

 

Segundo a gestão do Parna de Chapada dos Guimarães, a fragilidade do local é conhecida desde ao menos 2008, quando um estudo da Universidade Estadual de Mato Grosso identificou o Portão do Inferno como área vulnerável.Em 2019, o Governo do Estado de Mato Grosso foi comunicado sobre as quedas de blocos rochosos. Em 2021 e 2023 novamente o estado foi avisado: a intensidade e frequência das quedas havia aumentado.

 

“Todo mundo fica surpreendido com a queda de rochas, menos o próprio Paredão. Porque ele já dizia, milhões de anos atrás, que ele ia cair, que essa formação geológica lá ia cair. Então, quem construiu a rodovia deveria estar preparado para esse sistema geológico natural, para essa situação”, diz Fernando Francisco Xavier, gestor chefe do Parna da Chapada dos Guimarães.

 

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Em novembro de 2023, novos deslizamentos aconteceram e então o governo do estado apresentou uma proposta de intervenção emergencial no local. No dia 23 de dezembro de 2023, no entanto, um grande bloco rochoso se desprendeu do paredão, interditando a via. Foi aí que a pressão do estado sobre os órgãos ambientais começou. 

 

Fonte: O Eco

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