Ex-aliadas divergem na escolha dos candidatos a prefeito da legenda em pelo menos três capitais
A eleição municipal do ano que vem já se tornou uma nova arena de disputa entre as ex-aliadas Marina Silva, ministra do Meio Ambiente, e Heloísa Helena, ex-senadora, ambas filiadas à Rede. Em pelo menos três capitais seus grupos políticos não se entendem sobre a definição dos candidatos a prefeito do partido. Em um dos embates está Túlio Gadêlha (PE), o único deputado federal da sigla em exercício neste momento.
Em declarações públicas, Gadêlha já manifestou o desejo de concorrer à prefeitura de Recife. O plano político do parlamentar tem o apoio de Marina, sua principal aliada na sigla, mas enfrenta entraves com o diretório local da legenda. Por conta da federação com o PSOL, Heloísa deu a entender que deixará a sigla aliada tomar as rédeas na capital pernambucana e lançar a deputada estadual Dani Portela na disputa. Neste contexto, Túlio ficaria de fora da eleição.
Natal é outra capital em que os grupos de Marina e Heloísa não se entendem. O apoio da Rede a Natália Bonavides (PT) tem gerado desconforto. A ala ligada à ministra do Meio Ambiente, representada pelo porta-voz estadual, João Gentil, defende que o partido esteja no palanque da deputada. No entanto, o PSOL ainda não descartou a possibilidade de lançar um nome próprio, o que é avaliado como uma melhor opção pelo grupo da ex-senadora.
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Também há divergência no Sudeste. O deputado federal Rogério Correia, do PT, lançou sua candidatura em Belo Horizonte com o intuito de representar a esquerda. A frente ampla é defendida pela ala de Marina. Contudo, nos bastidores do diretório local, o grupo de Heloísa tenta viabilizar o nome do ex-vice-prefeito Paulo Lamac, que integra o quadro do partido. Nesta corrida, há ainda um terceiro entrave: o desejo do PSOL de lançar a vereadora Iza Lourença.
A avaliação de integrantes da Rede é que o partido não tem conseguido focar nas eleições municipais, em função da divisão interna. Desde que Marina e Heloísa passaram a disputar o comando da legenda, os dois grupos polarizaram a sigla. Na executiva nacional, 53% dos integrantes fazem parte do ala da ex-senadora, enquanto 47% estão com a ministra.
O grupo minoritário tem se queixado da “gestão autoritária” de Heloísa. Para integrantes da ala de Marina, a ex-senadora estaria tentando, a todo custo, diminuir o poder de seus adversários. De acordo com os militantes ligados a Marina, Heloísa tem convocado reuniões em cima da hora, não divulgado a ata dos encontros e colocado itens em votação que não estavam previstos.
A tensão entre os grupos chegou, inclusive, à Justiça. Isso porque, em agosto passado, a tesoureira Juliana de Sá, aliada de Marina, foi afastada de seu cargo. Após uma liminar, o grupo da ministra restabeleceu o cargo. Nos próximos dias, em função dos supostos excessos que estariam sendo cometidos e eventuais perseguições internas a lideranças do Espírito Santo e Pará, o grupo pretende entrar com pelo menos mais duas ações contra o diretório nacional.
Ao GLOBO, o deputado Túlio Gadêlha lamentou a divisão do partido. O parlamentar ponderou que a sigla é pequena, o que não justificaria uma briga por máquina partidária:
— Existia uma prática de se decidir tudo em grupos fechados porque a gestão anterior tinha maioria absoluta ligada a outra ala. Agora, eles precisam nos consultar para resolver gastos financeiros, contratos, o que nem sempre acontece.
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Além das brigas internas, outro ponto de diferença entre as alas é o alinhamento ao governo federal. De um lado, o grupo de Marina, junto com a presidente da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), Joenia Wapichana, Túlio Gadêlha e a deputada estadual Marina Helou são aliados do presidente Lula. Do outro, a ala de Heloísa mantém críticas à gestão petista.
Fonte: O Globo