Titulares de pasta foram apresentados ao resultado de uma pesquisa que apresenta os três públicos com os quais o Planalto tem maior dificuldade de dialogar
Diante do diagnóstico feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que o governo tem falhado na comunicação, o ministro da Secretaria de Comunicação Social (Secom), Paulo Pimenta, reuniu nesta semana um grupo de seis ministros, além de secretários, para discutir estratégias para fazer a mensagem governamental chegar a públicos considerados fora da "bolha de esquerda". O encontro, no Palácio do Planalto, foi o primeiro de uma série para desatar um nó diagnosticado por Lula na comunicação oficial e evitar novos tropeços.
O último deles ocorreu na segunda-feira, quando a Caixa Econômica Federal lançou comunicado anunciando que passaria a cobrar operações de PIX de pessoas jurídicas. O movimento, feito sem aviso prévio à Casa Civil, Ministério da Fazenda e à Secom, irritou ministros do governo e repercutiu negativamente nas redes sociais. No dia seguinte, o Planalto precisou intervir. O ministro da Casa Civil, Rui Costa, veio a público afirmar que, a pedido de Lula, a medida seria suspensa até o presidente retornar da viagem à Europa.
O episódio ocorreu menos de uma semana após Lula cobrar, durante reunião ministerial, mais "profissionalismo" dos auxiliares ao comunicarem o que o governo vem fazendo. A fala foi um recado para acionarem Pimenta e evitar bateção de cabeça entre ações desenvolvidas pelos colegas da Esplanada.
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— Tudo que a gente fizer quer tornar público. Vai ter uma discussão sobre a relação dos ministros com a Secom. É importante que a gente saiba. A gente pode fazer divulgação das coisas que a gente faz, com muito mais profissionalismo, se a gente tiver o mínimo de educação de fazer as coisas coletivamente. É pra isso que colocamos o Paulo Pimenta, figura simpática, alegre e sorridente, para coordenar a nossa comunicação — disse Lula na abertura da reunião ministerial da última quinta-feira.
Durante o encontro com Pimenta nesta semana, os ministros receberam orientações específica, como a recomendação de atenderem rádios locais ao visitar estados. Além disso, foi pedido que em discursos e entrevistas falem do governo como um todo, citando obras e políticas públicas, e não se limitarem apenas as pautas da sua pasta, adotando o papel de interlocutores de Lula pelo país.
Os ministros também conheceram o resultado de uma pesquisa que apresenta os três públicos com os quais o governo tem maior dificuldade de se comunicar, definidos nas seguintes "personas": mulher evangélica, chefe de família, que se enquadraria em programas como Minha Casa, Minha Vida, Bolsa Família, Farmácia Popular, mas não tem conhecimento dessas políticas; o perfil "motorista de Uber", homem de 30 a 40, que vive com um salário mínimo por mês, mas não têm previdência social; e, por último, o segmento ligado ao agronegócio.
A pesquisa, já previamente apresentada a Lula, chegou ao Palácio do Planalto em maio. Na visão de integrantes do governo, o levantamento ainda não captou os efeitos positivos de políticas como Bolsa Família e os descontos na compra de carros.
A Secom tem estudado ideias para direcionar comunicação estado por estado, com foco regionalizado inclusive na linguagem de peças publicitárias e com foco na comunicação digital. Nesta semana, por exemplo, passou a distribuir pelas redes sociais mensagens alusivas às festas juninas e um novo jingle do governo em ritmo de forró.
Além da reunião desta semana, estão previstas mais duas rodadas de conversas com mais ministros. Na primeira reunião participaram os ministros Alexandre Padilha (Relações Institucionais), Waldez Góes (Integração e Desenvolvimento Regional), Carlos Fávaro (Agricultura e Pecuária), Jader Filho (Cidades), Márcio França (Portos e Aeroportos), Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar) e Wellington Dias (Desenvolvimento Social). Também estava o chefe de gabinete do presidente Lula, Marco Aurélio Ribeiro, e os secretários executivos, Izolda Cela (Educação), Dario Durigan (Fazenda), Ricardo Capelli (Justiça) e Swedenberger Barbosa (Saúde). Outros dois assessores representaram Renan Filho e Simone Tebet.
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Fonte: O Globo