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Aposentados da polícia: cães treinados para localização de drogas, bombas e armas ganham nova vida na adoção
Foto: Reprodução

Adotada em fevereiro deste ano, Luna ajuda na socialização de Arthur, diagnosticado com transtorno do espectro autista

As primeiras palavras de Arthur foram ditas após a chegada de uma nova companhia na família. O menino, de 4 anos, aprendeu logo os comandos de adestramento de Luna, uma fêmea de pastor-alemão de sete anos, aposentada da Guarda Municipal do Rio de Janeiro (GM). “Seat, Luna. Seat!”, pediu Arthur, imitando os pais João Paulo e Pâmela.

 

O casal decidiu adotar a cadela em fevereiro deste ano, quando viu uma reportagem na televisão. O desejo deles era dar um suporte à socialização do filho, diagnosticado com transtorno do espectro autista.

 

Luna era cadela de patrulha, atuando principalmente no entorno do Maracanã. Foi colocada pela GM para adoção devido à idade: aos 7 ou 8 anos, os cachorros começam a mostrar debilidade na rotina de trabalho, mas ainda podem aproveitar muitos anos de vida ao lado de um novo dono. João Paulo Rodrigues, de 45 anos, e Pâmela Carvalho, de 37, animaram-se ao ver a notícia dos animais para adoção.

 

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Não queriam um filhote, pois a agitação poderia atrapalhar o desenvolvimento de Arthur. Além disso, um cão adestrado poderia oferecer melhor segurança para a família. Moradores de Niterói, na Região Metropolitana, foram visitar o canil da GM na Mangueira, Zona Norte do Rio. Os 22 quilômetros de distância foram percorridos outras seis vezes durante o processo de adoção, no qual os tutores analisam a adaptação dos cachorros à nova rotina. De início, tinham gostado da Laica, irmã da Luna, mas foi esta última que os escolheu.

 

— Já queríamos ter um cachorro, principalmente para ajudar na socialização do Arthur. Aguardamos o momento certo, quando conseguimos nos mudar para uma casa espaçosa. Ter um cachorro mais velho, adestrado, combinou direitinho com o que precisávamos, ainda mais sendo um pastor-alemão, raça indicada para crianças com autismo — diz Pâmela.

 

Em oito meses ao lado de Luna, Arthur começou a dizer as primeiras palavras, os comandos de sentar e deitar, além do nome dela. — A gente tem vídeos do Arthur rolando no chão com ela. Brincando, rindo. No início, a Luna não gostava tanto, ficava incomodada com ele colocando a mão no ouvido, olhos e no focinho dela. Mas depois colocou limites e os dois se deram muito bem — completa a mãe.

 

Desde o ano passado, ao menos 24 “cães agentes” no Rio foram adotados tanto por policiais quanto por pessoas externas. Atualmente, há três disponíveis para adoção na Guarda Municipal: uma fox paulistinha e dois pastores-belga-malinois. Os cachorros em atividade somam 142, considerando-se todas as forças de segurança do Estado: GM, Coordenação de Operações e Recursos Especiais da Polícia Civil (Core), Polícia Militar, Polícia Rodoviária Federal, Polícia Federal e o Corpo de Bombeiros. No geral, os cachorros, após serem aposentados, são adotados pelos próprios tutores, responsáveis por eles desde o nascimento.

 

Vandré Nicolau, médico veterinário e chefe da seção de Operações com Cães, da Core, planeja adotar, no ano que vem, o Lorde, um pastor-belga-malinois. Os dois estão juntos há oito anos, desde que o cachorro chegou da Colômbia direto para o treinamento policial. O cão trabalha como farejador de drogas e é responsável por duas gerações da raça na coordenação, que tem 11 cães na equipe (um deles, vira-lata, o único com menção de herói).

 

DESAPEGO É DESAFIO

 

Vandré explica que o adestramento feito por eles segue a lógica do binômio canino. Nele, o tutor e o cão, desde filhote, convivem diária e quase integralmente. Quando ele ficou responsável por Lorde, por exemplo, levava-o até para fazer compras e acompanhar a filha ao colégio. Os cães podem ficar na casa dos tutores até os nove meses de idade.

 

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— A parte mais difícil é o desapego. É entender que o cão é de trabalho e não um “pet”. A gente pode mimar, pode levar ele para passeios, deixar conviver com a família, isso é ótimo para a socialização dele, mas é importante ter em mente que ele é de trabalho — ensina Vandré.

 

Fonte: Extra

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