As metrópoles brasileiras vão necessitar de urgente adaptação, com medidas que possam proporcionar maior conforto térmico para salvaguardar os mais vulneráveis do risco do calor extremo
No início de janeiro deste ano, o Instituto Europeu Copernicus atestou que a temperatura média global em 2023 superou em + 1,45°C o índice pré-industrial. Outra informação importante é que expectativa de um aquecimento de apenas + 1,5ºC não será possível. Vamos enfrentar um desafio de maiores proporções.
“As atividades humanas estão incendiando nosso planeta; 2023 foi apenas um vislumbre dos desastres que temos pela frente se não agirmos agora”, comentou o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Antonio Guterres, acompanhado pela secretária-geral da OMM, Celeste Saulo: “Precisamos fazer mais, e precisamos fazer rápido.A situação é crítica. Não devemos cair na armadilha de subestimar o desafio. Devemos olhar os prognósticos futuros com precaução. Os franceses estão preparando um forte plano de combate e adaptação às mudanças climáticas.
O objetivo é desenvolver capacidade para enfrentar o aquecimento global estimado em + 4ºC até 2100.A escolha do índice de + 4ºC, que irá modelar o modelo francês de adaptação, considera alertas científicos e se baseia na atual insuficiência das ações globais, em contraposição a um crescente uso de combustíveis fósseis protagonizado por petroestados e grandes petroleiras, cuja ambição desmedida revela um quadro difícil de reverter.
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Neste cenário faz todo o sentido se preparar para o pior, o que não significa ceder ao que poderia ser evitado, como pensam alguns pouco pragmáticos. É preciso recrudescer com relação às medidas e metas, com respostas mais firmes e necessárias para responder ao desafio climático na real proporção em se este se apresenta.
James Hansen, ex-pesquisador da Nasa, considerado o pai das mudanças climáticas, bradou, de forma incisiva, os primeiros alertas na década de 80. Em artigo recente na revista Oxford Open Climate Change, Hansen e outros cientistas usaram uma combinação de dados paleoclimáticos, informações de núcleos de gelo polares, anéis de árvores, modelos climáticos e dados observacionais, concluindo que a Terra é muito mais sensível do que se pensava às alterações climáticas e que ultrapassará 2ºC antes de 2050.

(Foto: Reprodução)
O estudo World Weather Attribution revela que o El Niño reduziu as chuvas em 2023, maa queima de combustíveis fósseis tornou a falta de chuvas 10 vezes mais provável do que em um mundo sem alterações climáticas. “À medida que as emissões globais de efeito estufa continuam a aumentar, o mundo verá secas mais extremas”, disse Ben Clarke, autor do estudo produzido pelo Instituto de Pesquisa Grantham sobre Mudanças Climáticas e Meio Ambiente do Imperial College London.
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Subestimamos a velocidade e os efeitos das mudanças climáticas. Lá se vão oito anos quando nos bastidores do Acordo de Paris a apreensão dos especialistas era imensa para manter a meta de 1,5 ºC e não 2ºC. Era preciso manter o patamar mais seguro possível, mas passados apenas oito anos quase atingimos o patamar desejado para o ano 2000. Como se nada estivesse ocorrendo, continua a farra ambiciosa dos combustíveis fósseis, dos interesses imediatistas para os quais não há limites.
Fonte: O Eco