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Até que ponto a genética é realmente responsável pelo que somos? Será que é la que manda?
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Mas, até que ponto a genética é realmente responsável pelo que somos? Ou como somos?

Já ouvimos muito a frase “a genética é boa” para definir pessoas que são saudáveis, magras, fortes, bonitas. Mas, até que ponto a genética é realmente responsável pelo que somos? Ou como somos?

 

É sabido que tanto nosso peso como a maioria das doenças são poligenéticas, ou seja, determinadas por uma grande variedade de genes. Assim é com a obesidade, diabetes, hipertensão e uma série de outras doenças. Mas é fundamental sabermos que isso não é definitivo, imutável, mas que nosso estilo de vida também determina nossa saúde e pode alterar a expressão desses genes.

 

Durante minha vida sempre ouvi que a genética me abençoou e que sou magro por conta dos meus genes. Sempre achei uma injustiça porque, desde que me entendo por gente, tenho a lembrança da minha mãe me levando para fazer natação e judô, e de ficar na rua jogando bola até tarde e esperando meu pai chegar para jogar mais um pouco com ele.

 

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A alimentação na minha casa sempre foi sem proibição, mas sem exageros. Muito arroz e feijão, pão, leite, frutas e salada. Também lembro de ir passar férias em São Paulo, na casa dos meus avós, e comer exageradamente uns 5 pratos de macarrão e ficar muito orgulhoso. Limpar o prato e até mesmo repetir era motivo de elogios! Mas minha sábia vozinha já sabia que isso era uma bobagem. E me ensinou: “sempre se levante da mesa com a sensação de que poderia comer um pouco mais e nunca empanturrado como você deve estar agora”. Lição dada e aprendida, sigo com ela até hoje.

 

Voltando aos genes, sempre fui convidado pra fazer testes e descobrir a tendência genética para minha saúde. São empresas no exterior, algumas da Alemanha e dos Estados Unidos, que coletam nossa saliva e analisam o DNA. Já tinha feito em 2013 e fiquei surpreso (e desconfiado) quando tive o resultado de ter forte tendência à obesidade e diabetes.

 

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Não era um relatório muito completo e não dei importância. Esse ano, meu irmão me convenceu a refazer em dois outros laboratórios, com relatórios mais completos. Quando recebi os resultados, eles diziam: de 702 genes analisados, 359 apontavam uma tendência à obesidade e diabetes. A média de peso para pessoas da minha idade e com meu perfil genético seria de 90 quilos, e eu peso 75.Além disso, minha glicemia em jejum é de 88 mg/dl, ou seja, menor que 99 mg/dl que é considerada a taxa limite.

 

E isso tudo pra dizer o que? Que a genética representa apenas uma modesta parte da nossa saúde. Vale lembrar que o estilo de vida é aquilo que você faz na maior parte do seu tempo. Se você e uma pessoa que faz atividade física regular ou se movimenta bastante, é fisicamente ativa. Se você joga apenas a pelada no fim de semana e fica muito do seu tempo sentado, trabalhando, você é uma pessoa praticamente sedentária. “Poxa, mas eu jogo bola todo sábado e domingo!” Sim, isso corresponde a cerca de apenas 26% do seu tempo.

 

Se você se preocupa na maior parte dos dias em comer de forma saudável, priorizando alimentos de verdade, mas todo sábado vai aquele churrasco e come além da conta, sua alimentação é boa, e as escorregadas não são a regra, mas a exceção. Na verdade, são nossos hábitos de vida os maiores responsáveis em “silenciar” nossos genes que não queremos que se expressem. Parece estranho, mas é exatamente isso: silenciar um gene nada mais é que fazer com que ele “fique calado”, que não passe adiante as suas informações.

 

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A epigênese, que é maneira como os genes interagem com os fatores ambientais e o estilo de vida, vem sendo cada vez mais estudada, e já foi comprovado através de estudos com gêmeos idênticos (que têm origem a partir do mesmo óvulo e a mesma sequência de DNA), que seus genes se expressam de maneiras diferentes, afetadas pelas suas experiências pessoais. Portanto, acima de qualquer predeterminação genética, já que não posso mudar a minha, tenho controle sobre meu estilo de vida e é nisso que invisto minhas energias, e não em colocar a “culpa” nos meus ancestrais... 

 

Fonte: O Globo

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