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Aviões de guerra israelenses bombardeiam o Iêmen após ataques de rebeldes houthis
Foto: Reprodução

Ofensiva danificou o aeroporto internacional de Sanaã, a capital e um dos redutor do grupo iemenita; diretor-geral da OMS disse que estava no local no momento do ataque

O Exército israelense anunciou, nesta quinta-feira, que bombardeou “alvos militares” dos rebeldes houthis no Iêmen, acusando o grupo, que é apoiado pelo Irã, de estar “no centro do eixo terrorista iraniano”. A ofensiva, feita em retaliação pelos frequentes ataques do grupo contra Israel, danificou o aeroporto internacional de Sanaã, a capital e um dos redutos dos houthis, segundo informes iniciais da mídia iemenita. Pelo menos três pessoas morreram e cerca de 10 ficaram feridas.

 

Em nota, as Forças Armadas de Israel anunciaram que, além do aeroporto, os alvos atingidos por seus caças incluíram as usinas de energia de Hezyaz e Ras Kanatib, descritas como “infraestrutura militar usada pelo regime terrorista Houthi para suas atividades militares”. Os caças também atacaram infraestrutura militar nos portos de al-Hudaydah, Salif e Ras Kanatib, na costa ocidental do Iêmen.

 

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, disse que o Estado judeu continuará atacando os houthis “até que o trabalho esteja concluído”.

 

Em declaração em vídeo divulgada após os ataques, ele afirmou que as forças de Israel estão “determinadas” a “cortar esse ramo do terrorismo”. O gabinete de Netanyahu anunciou que o premier supervisionou a ofensiva a partir do centro de comando da Força Aérea israelense em Tel Aviv junto de seu ministro da Defesa, Israel Katz.

 

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O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, disse que estava no aeroporto internacional de Sanaã quando o local foi alvo do ataque. No X, ele escreveu:

 

“Quando estávamos prestes a embarcar em nosso voo de Sanaã, o aeroporto foi bombardeado. Um dos tripulantes do nosso avião ficou ferido. Pelo menos duas pessoas foram mortas no aeroporto. A torre de controle de tráfego aéreo, a sala de embarque – a poucos metros de onde estávamos – e a pista foram danificadas”.

 

O ataque aéreo, o quarto de Israel no Iêmen no último ano, foi feito uma semana após caças israelenses voarem mais de 1.600 quilômetros para bombardear locais no país, incluindo Sanaã e a cidade portuária de Salif. Na ocasião, o Exército israelense declarou que atingiu infraestruturas como usinas de energia, além de tanques de combustível e petróleo. O bombardeio matou nove pessoas e ocorreu horas após as forças israelenses afirmarem que interceptaram um míssil lançado do Iêmen.

 

Desde então, os houthis intensificaram seus esforços para atingir Israel. Um míssil lançado pelo grupo caiu em um playground em Tel Aviv antes do amanhecer de sábado, estilhaçando vidros e ferindo vários moradores em edifícios próximos. O grupo lançou outro míssil na manhã de terça-feira, poucas horas após o ministro da Defesa de Israel sugerir que o governo buscaria eliminar os líderes dos houthis.

 

Esse míssil ativou sirenes em Tel Aviv e outras partes do centro de Israel, mas o Exército israelense afirmou que as defesas aéreas do país o interceptaram fora do território israelense.

 

Na noite de quarta-feira, as Forças Armadas do Estado judeu também relataram que um drone lançado do Iêmen havia cruzado o território israelense e caído em uma área aberta.

 

Os houthis, que atuam como governo de fato em grande parte do norte do Iêmen, têm atacado Israel em solidariedade ao Hamas desde pouco depois dos ataques liderados pelo grupo terrorista contra Israel em 7 de outubro de 2023, que deram início à guerra em Gaza. Eles também têm lançado mísseis e drones contra navios de carga que atravessam o Mar Vermelho, uma das rotas comerciais mais movimentadas do mundo, causando perturbações significativas ao comércio internacional.

 

Com o Hamas enfraquecido após perder grande parte de suas forças em Gaza desde o início do conflito em outubro de 2023, e o Hezbollah em uma trégua oficial, os houthis são os únicos bombardeando Israel, embora estejam a cerca de 2 mil quilômetros de distância. Os israelenses veem a natureza desses ataques como uma tentativa do grupo rebelde de causar desgaste sem ultrapassar o limite do confronto.

 

— Estamos testemunhando uma gestão da escalada pelos houthis — disse Uzi Rubin, arquiteto das defesas aéreas de Israel e conselheiro do Ministério da Defesa. — Eles prometem atacar Tel Aviv porque atacamos Sanaã, mas ainda não estão prontos para causar grandes baixas. Ataques antes do amanhecer significam que as pessoas não estão nas ruas.

 

O equilíbrio pode ser difícil de manter. Talvez o mais disruptivo para os israelenses seja o fato de centenas de milhares de pessoas correrem para abrigos toda vez que as sirenes soam no principal centro populacional de Israel. Isso é uma precaução não apenas contra impactos diretos, mas também contra os destroços resultantes das interceptações.

 

Em declarações sobre os lançamentos, os Houthis prometeram continuar lutando contra Israel até o fim da guerra em Gaza. Em ataques recentes, os Houthis afirmaram estar mirando instalações militares em Tel Aviv — um alvo relativamente novo para o grupo.

 

As reações dos israelenses variam entre nervosismo e humor. Um programa de TV entrevistou especialistas sobre os perigos da privação de sono. No Parlamento, uma deputada tranquilizou seu filho por telefone, dizendo que estaria lá para abraçá-lo no meio da noite, em uma conversa captada pelo microfone do púlpito. Um meme popular nas redes sociais criticou os houthis por atrapalharem a intimidade de casais.

 

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— Já vimos há muito tempo que nossos inimigos usam nosso próprio sistema de alerta como uma forma de pressão psicológica contra nós. Aqui isso funciona em grande escala — disse Rubin. 

 

 Fonte: O  Globo

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