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BC mantém juros em 13,75% e ressalta custo de desinflação diante das incertezas fiscais
Foto: Reprodução

Na primeira reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) após a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Banco Central decidiu nesta quarta-feira manter a Selic em 13,75% ao ano e ressaltou que a incerteza fiscal e a deterioração nas expectativas de inflação do mercado elevam o custo para que a autoridade monetária atinja suas metas.

 

“A conjuntura, particularmente incerta no âmbito fiscal e com expectativas de inflação se distanciando da meta em horizontes mais longos, demanda maior atenção na condução da política monetária”, informou o comunicado da reunião do Copom.“Tal conjuntura eleva o custo da desinflação necessária para atingir as metas estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional”, acrescentou.

 

Nesse cenário, com uma “deterioração em prazos mais longos” das expectativas para a inflação, o comunicado “reafirma que conduzirá a política monetária necessária para o cumprimento das metas”, ressaltando novamente que não hesitará em retomar o ciclo de ajuste nos juros caso o processo de desinflação não transcorra como esperado.

 

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A manutenção da taxa básica de juros pela quarta reunião consecutiva foi decidida por unanimidade pela diretoria do BC e está em linha com a expectativa do mercado, de acordo com pesquisa Reuters, segundo a qual todos os 30 economistas consultados esperavam continuidade da Selic no mesmo nível.O BC também endureceu o tom em outro trecho do comunicado.

 

Em dezembro, afirmava que seguiria avaliando se a estratégia de manutenção da Selic por período “suficientemente prolongado” seria capaz de assegurar a convergência da inflação. Agora, diz que está avaliando se a manutenção da taxa “por período mais prolongado do que no cenário de referência” será capaz de atingir o objetivo.

 

O cenário de referência do BC leva em conta a trajetória para os juros sinalizada por analistas do mercado na pesquisa Focus –a qual tem apontado a expectativa de corte de juros a partir de setembro deste ano.

 

Apesar dos alertas, o BC manteve equilibrado seu balanço entre fatores de risco de alta e de baixa para a inflação, sem alteração significativa em relação ao comunicado de dezembro, mas destacou que a decisão para a Selic considerou um balanço de riscos “com variância ainda maior do que a usual” para a inflação prospectiva.

 

Com a decisão, o BC manteve a Selic a um patamar 11,75 pontos acima da mínima histórica de 2% ao ano, atingida em meio à pandemia de Covid-19 e que vigorou até março de 2021. A taxa básica segue no nível mais alto desde janeiro de 2017, quando também estava em 13,75% ao ano.

 

O primeiro encontro do Copom após uma troca de governo com um Banco Central formalmente autônomo ocorreu após críticas de Lula à condução da política monetária e em meio a um ambiente de alta nas expectativas para a inflação e piora nas projeções para a taxa básica de juros.

 

DESANCORAGEM

 

Nesta quarta, o BC também piorou suas estimativas para a inflação. A autoridade monetária informou que, em seu cenário de referência, as estimativas para a inflação estão em 5,6% para 2023 (contra 5,0% na reunião anterior) e 3,4% em 2024 (ante 3,0%).Em 2022, o IPCA acumulou alta de 5,79%, acima do teto de 5% estabelecido para o ano passado.

 

Apesar do avançado estágio de aperto monetário após o BC promover um duro ciclo de alta nos juros para debelar a alta de preços, as projeções de mercado têm apontado para uma desancoragem da inflação.

 

O boletim Focus do BC, que capta as expectativas do mercado, mostra que a mediana das expectativas para a inflação deste ano passou de 5,08% logo após a reunião do Copom de dezembro para 5,74% nesta semana -quase 1 ponto acima do teto da meta para o período.

 

Para 2024, atual foco da atuação da autoridade monetária, a projeção do mercado foi de 3,50% para 3,90%. O efeito de alta também é sentido em 2025, 2026 e até 2027.As metas para a inflação perseguidas pelo BC são de 3,25% em 2023 e de 3,00% em 2024 e 2025, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual.


A meta de 2026 deve ser fixada neste ano pelo governo, após Lula questionar se o alvo não estaria baixo demais, forçando uma contração excessiva da atividade econômica.

 

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A opção pela manutenção da Selic ocorreu horas após o Banco Central dos Estados Unidos ter anunciado uma elevação em sua meta de juros em 0,25 ponto percentual, além de prometer “aumentos contínuos” nos custos de empréstimos como parte de sua batalha ainda não resolvida contra a inflação.
 

 

Fonte: Revista IstoÉ

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