O Banco Central não propôs ao governo um aumento da meta de inflação para ganhar flexibilidade na política monetária, mas tem sugestões de aprimoramento do mecanismo, disse nesta segunda-feira o presidente da autarquia, Roberto Campos Neto, ressaltando que cabe ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, encaminhar eventuais propostas de mudanças da regra ao Conselho Monetário Nacional.
“Acho que é importante dizer que nós não estudamos mudança de metas. Nós não entendemos que a meta é um instrumento de política monetária, existem, obviamente, aprimoramento para se fazer”, afirmou Campos Neto no programa Roda Viva.
“Em nenhum momento a gente defendeu simplesmente aumentar a meta no sentido de ganhar flexibilidade, mesmo porque não é nossa crença”, acrescentou.
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Em meio a sucessivas críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à atuação da autoridade monetária e ao nível dos juros no país, Campos Neto disse entender a pressa do mandatário e destacou que o BC não gosta de juro alto, mas argumentou ser difícil ter bem-estar social com inflação descontrolada.
“O Banco Central não gosta de juros altos, é óbvio que a gente quer fazer o melhor possível para ter o juro baixo, para ter o crescimento sustentável”, afirmou, acrescentando que a agenda da autarquia é muito voltada para o social.
“A gente acredita que é possível fazer fiscal junto com bem-estar social, mas a gente acredita que é muito difícil ter bem-estar social com inflação descontrolada”.
Convidado do programa da TV Cultura, o presidente do BC afirmou que tem dialogado com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e argumentou ser importante reconhecer o a boa vontade e o esforço fiscal do novo governo.
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Segundo ele, se ficar mais claro qual será o arcabouço fiscal do governo e reformas avançarem, é possível que o país retorne “em breve” ao cenário do fim do ano passado, quando o BC previa ser possível cortar a taxa básica de juros já a partir de meados de 2023 e atingir as metas.
Fonte: Revista IstoÉ