Em campanha para o candidato do PL da capital de Goiás, ex-presidente disse ter o único nome à direita na cidade; governador tenta se cacifar para a presidência em 2026
Durante o comício, realizado em um bairro nobre da cidade, Bolsonaro não citou nominalmente Caiado, mas retomou a crise entre ambos durante a pandemia da Covid-19, em 2020. À época, Caiado chegou a romper com o então aliado devido as medidas para conter a disseminação do coronavírus, adotada por governadores estaduais logo no início da crise sanitária. O ex-presidente usou o discurso comum durante seu governo, com críticas a vacina.
Nós na pandemia, fizemos o que tinha que ser feito. Fui contra governadores que falavam ‘fiquem em casa, a economia a gente vê depois’. Governador covarde! Governador covarde! O vírus ia pegar todo mundo, não tinha como fugir do vírus — declarou Bolsonaro no comício, ao lado de Gayer, do candidato à prefeitura e seu vice.
Ainda em seu discurso, o ex-presidente afirmou que a única candidatura de direita na capital era a de Fred Rodrigues. Apesar de muita negociação na pré-campanha, o governador goiano optou por lançar um nome do União Brasil à prefeitura da capital, desagradando o PL de Bolsonaro, que queria lançar Gayer. O parlamentar havia se tornado empecilho para qualquer aliança nas eleições deste ano.
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Caiado filiou o presidente da Federação das Indústrias de Goiás (Fieg), o ex-deputado Sandro Mabel. O empresário ficou dez anos fora da política, mas divide o primeiro lugar nas pesquisas com a deputada petista Adriana Acorsi. Mabel também é da família fundadora da empresa de rosquinhas e biscoitos Mabel, vendida em 2011 para a PepsiCo, citada por Bolsonaro no ataque ao candidato:
O candidato da bolachinha e da rosquinha tem vídeo dele elogiando Dilma Rousseff, dizendo que ela foi uma boa gestora. 2014, 2015, sem crise nenhuma no Brasil. Essa presidente conseguiu a proeza de desempregar 13 milhões de pessoas no Brasil. Essa presidente que o da rosquinha disse que foi uma boa presidente, conseguiu entregar a Petrobras para o Temer com uma dívida de 180 milhões de dólares — discursou.
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O ataque do ex-presidente ao antigo aliado coincide em um momento que o governador busca se cacifar para a disputa ao Planalto em 2026. Diante da inelegibilidade de Bolsonaro no próximo pleito, o União já trata Caiado como pré-candidato. E o chefe do Executivo goiano busca atrair tanto o eleitor bolsonarista, quanto um voto mais moderado de centro-direita.
Fonte: O Globo