NOTÍCIAS
Geral
Bolsonaro queria que contas fossem pagas 'na boca do caixa', relatou Cid antes de ser preso
Foto: Reprodução

Relato foi feito nos bastidores em março, pouco mais de dois meses antes da prisão. Braço direito de Bolsonaro ressaltou também ter vivido 99% do que aconteceu no Planalto durante a gestão anterior.

O uso de cartões de crédito para fazer compras e de caixas eletrônicos para pagar contas era uma orientação do presidente Jair Bolsonaro (PL), segundo relatos de um de seus mais próximos assessores na Presidência da República – o ajudante de ordens Mauro Cid, tenente-coronel do Exército.

 

Cid foi preso no início de maio sob suspeita de participação em um esquema de fraude em comprovantes de vacinação contra a Covid dele e de Bolsonaro. A descoberta foi feita a partir da quebra de sigilo do ex-ajudante de ordens no inquérito sobre um outro assunto – o vazamento de dados de uma investigação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

 

Essa quebra de sigilo revelou também conversas em que o ex-assessor relata pagamentos em dinheiro vivo de despesas da ex-primeira-dama, Michelle Bolsonaro, e parentes. Essa prática, segundo a Polícia Federal, dificulta a identificação de quem enviou o dinheiro, que viu indício de desvio de dinheiro público no caso.

 

Veja também

 

Polícia Federal quer ouvir Michelle Bolsonaro sobre pagamentos em dinheiro vivo relatados por Mauro Cid

 

Bolsonaro depõe à Polícia Federal nesta terça na investigação sobre fraude em cartões de vacina

Michelle não tinha um cartão de crédito porque Bolsonaro era "pão duro", justificou na segunda-feira (15) o ex-ministro das Comunicações e advogado de Bolsonaro Fábio Wajgarten.

 

Numa conversa em março – cerca de dois meses antes de ser preso –, entretanto, Mauro Cid revelou nos bastidores a interlocutores que Bolsonaro era contra o uso de cartão de crédito, e que queria que todas as contas fossem pagas na boca do caixa "para não ter problema".

 

Esse costume, na versão de Cid, teria levado o ex-presidente a chegar ao fim do mandato sem dinheiro no banco para "comprar uma casa" – em 2022, Bolsonaro declarou ao Tribunal Superior Eleitoral ter cerca de R$ 900 mil em contas correntes e poupanças.

 

O ex-assessor relata que tinha conhecimento sobre a rotina nas contas do ex-presidente, tirando extratos semanais para, alegava, checar se não havia ocorrido algum depósito não solicitado que pudesse causar problemas para Bolsonaro.

 

ADVOGADO ESPECIALISTA EM DELAÇÃO


Na conversa, Cid deixou claro ainda como era profundo conhecedor da rotina do Planalto – disse que acompanhou Bolsonaro nos 4 anos da presidência e que, nas palavras dele, viveu 99% do que aconteceu no Planalto durante a gestão anterior. E que era ele quem administrava os cartões de débito e crédito do ex-presidente.

 

Essa proximidade causou preocupação no entorno de Bolsonaro com uma eventual delação do ex-ajudante de ordens.

 

Na semana passada, Cid trocou um advogado próximo da família Bolsonaro, Rodrigo Roca, por outro especialista em delações – Bernardo Fenelon.

 

Curtiu? Siga o PORTAL DO ZACARIAS no FacebookTwitter e no Instagram.

Entre no nosso Grupo de WhatApp e Telegram 

 

Ao blog, o escritório de Fenelon informou que o advogado somente se manifesta nos autos por respeito ao STF. 

 

Fonte: G1

LEIA MAIS
Copyright © 2013 - 2026. Portal do Zacarias - Todos os direitos reservados.