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Botânicos dão basta ao racismo em nomes científicos de plantas
Foto: Divulgação

No que é um marco histórico para a botânica, cientistas votaram pela primeira vez para remover referências racistas dos nomes científicos de plantas. A decisão ocorreu no Congresso Botânico Internacional em Madri, onde 351 dos 556 participantes votaram a favor da mudança.

 

A partir do final de julho, mais de 200 espécies de plantas, fungos e algas que continham a palavra “caffra” — um insulto racial da era do Apartheid na África do Sul — terão seus nomes alterados para “affra”, reconhecendo suas origens africanas de forma respeitosa.

 

Um exemplo é a maçã Kei, que recebe esse nome por causa do rio Great Kei, na África do Sul, de onde a planta é nativa. Com o nome científico de Dovyalis caffra, logo passará a ser chamada de Dovyalis affra. O fruto ainda é raro no Brasil.

 

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POR UMA BOTÂNICA MENOS RACISTA

 

A maçã Kei, típica da África do Sul, terá seu nome científico alterado nessa luta contra o racismo na botânica. (Fonte: GettyImages/ Reprodução)

 

Essa mudança foi proposta pela primeira vez pelos botânicos Gideon F. Smith e Estrela Figueiredo, da Universidade Nelson Mandela, em 2021. Desde então, eles vêm defendendo que a nomenclatura botânica deve ser livre de insultos raciais.

 

Smith expressou sua gratidão aos colegas de todo o mundo que apoiaram os esforços para remover insultos raciais da nomenclatura botânica, destacando a importância da decisão como um passo crucial para livrar a ciência de termos ofensivos.

 

Apesar da vitória significativa, nem todos compartilham da mesma visão. Alguns taxonomistas resistem às mudanças nos nomes científicos, alegando que podem causar confusão e problemas práticos em bancos de dados e legislações.

 

A Comissão Internacional de Nomenclatura Zoológica reforçou essa visão ao decidir, no ano passado, não alterar nomes de animais ofensivos, destacando a importância da estabilidade dos nomes na biologia.

 

De qualquer modo, a votação também incluiu uma proposta para permitir que um comitê existente avalie novos nomes de espécies que possam ser ofensivos, a partir de 2026.

 

No entanto, nomes atribuídos antes dessa data não serão revisados. Essa decisão marca uma abordagem mais cautelosa, refletindo a natureza conservadora da comunidade taxonômica.

 

ALÉM DAS PLANTAS

 

A luta contra o racismo precisa alcançar todas as áreas. (Fonte: GettyImages/ Reprodução)

Fotos:Reprodução

 

A discussão sobre a adequação dos nomes científicos não se limita às plantas. No ano passado, a American Ornithological Society optou por alterar os nomes comuns de pássaros que homenageavam pessoas com históricos de escravidão, racismo e misoginia, embora os nomes científicos permanecessem inalterados.

 

Nomes de espécies animais como Anophthalmus hitleri, um besouro nomeado em homenagem a Adolf Hitler, permanecem inalterados, gerando debates sobre a influência de movimentos sociais na nomenclatura científica. Muitos reconhecem a complexidade da troca de nomenclatura, mas veem esse primeiro passo como um grande avanço.

 

A proposta original de Smith e Figueiredo, que visava eliminar de forma permanente e retroativa os nomes ofensivos, não foi totalmente implementada. Em vez disso, um comitê existente avaliará apenas novos nomes publicados após 1º de janeiro de 2026.

 

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Apesar das divergências, a votação é um passo significativo contra o racismo na ciência. Especialistas reconhecem que as mudanças são um avanço parcial, mas ressaltam que ainda há muito a ser feito. A comunidade científica deve continuar discutindo esses nomes e considerar mais mudanças para promover igualdade e respeito na nomenclatura biológica.

 

Fonte: Mega Curioso

 

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