Número foi registrado entre janeiro e 20 de março deste ano, por meio de operações do Ministério do Trabalho. Volume representa uma alta de 124%, em relação aos primeiros três meses de 2022.
O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) resgatou 918 trabalhadores em condições semelhantes à de escravidão entre janeiro e 20 de março de 2023, uma alta de 124% em relação ao volume dos primeiros três meses de 2022.
O número é recorde para um 1º trimestre em 15 anos, sendo superado apenas pelo total de 2008, quando 1.456 pessoas foram resgatadas.
Os dados foram compilados a pedido do g1 pelo auditor fiscal Maurício Krepsky, chefe da Divisão de Fiscalização para Erradicação do Trabalho Escravo (Detrae), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
Veja também

Jovem paga R$ 3,2 mil em iPhone e recebe perfume para bebê após realizar compra pela internet
Venezuelanos são presos após levar bebê para motel em Porto Velho
GOIÁS E RIO GRANDE DO SUL LIDERAM
Goiás e Rio Grande do Sul foram os estados onde os auditores do Ministério encontraram o maior volume de trabalhadores em situação análoga à de escravidão.
Somente em Goiás, 365 pessoas foram resgatadas. Mais da metade foi resgatada no último dia 17 em lavouras e usinas de cana-de-açúcar nos municípios Itumbiara, Edéia e Cachoeira Dourada, no sul do estado, em uma operação do MTE que durou três dias.
Entre as irregularidades encontradas pela fiscalização, estão a cobrança de aluguel de barracos usados como alojamentos, o não fornecimento de alimentação e cobrança pelo uso de ferramentas de trabalho.
No Rio Grande do Sul, 293 pessoas foram resgatadas até o dia 20 de março.
Um dos casos mais emblemáticos ocorreu durante a safra da uva, em fevereiro, quando 207 trabalhadores foram encontrados em situações degradantes de trabalho em fazendas do município de Bento Gonçalves.
O caso chamou a atenção pelas agressões cometidas contra os trabalhadores, que afirmaram ter passado por espancamentos, choques elétricos, tiros de bala de borracha e ataques com spray de pimenta, além de jornadas exaustivas de trabalho.
Eles foram contratados pela empresa Fênix Serviços Administrativos e Apoio à Gestão de Saúde LTDA, que prestava serviços a três grandes vinícolas da região: Aurora, Cooperativa Garibaldi e Salton.
O responsável pela Fênix, o empresário Pedro Augusto de Oliveira Santana, também está por trás de uma outra empresa que, em 2021, foi alvo de uma queixa pelo mesmo crime feita à Justiça do Trabalho.
Duas semanas depois deste caso na colheita da uva, uma outra operação do MTE conseguiu resgatar 82 pessoas em situação semelhante à escravidão em duas fazendas de arroz, no interior do município de Uruguaiana, na Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul.
Curtiu? Siga o PORTAL DO ZACARIAS no Facebook, Twitter e no Instagram.
Entre no nosso Grupo de WhatApp e Telegram
Segundo apuração da fiscalização, os trabalhadores tinham que arcar com comida e ferramentas de trabalho. E, se algum deles adoecesse, teria a remuneração descontada. Um dos homens resgatados chegou a sofrer um acidente com um facão e ficou sem movimentos de dois dedos do pé.
Fonte: G1