Por Xico Nery, correspodente do "PORTAL DO ZACARIAS" no interior do Amazonas - Na condição de réu pela segunda vez, o prefeito Gean Campos de Barros (MDB) foi condenado a pena de 15 anos, multa e a pagar indenizações a trabalhadores adolescentes e crianças que foram explorados em tarefas da colheita de castanha do Brasil em suas propriedades e do sogro, Oscar da Costa Gadelha, já falecido.
A decisão é da 2ª Vara Federal da Seção Judiciária do Amazonas e estar baseada no uso ilegal, à época, “pela exploração de 37 pessoas (27 homens, uma mulher e 9 menores) que trabalhavam, em condições análogas a de escravo na colheita de castanha do Brasil (também conhecida como Castanha – do - Pará) no Castanhal Nova Glória, às margens do Rio Tumiã, na zona rural do município de Lábrea”.
A equipe de reportagem teve acesso à sentença onde consta que entre as vítimas havia, na época dos fatos, “adolescentes e crianças, com idade inferior a 11 anos de idade” que, bem como, os demais trabalhadores transportavam sacos (Jamaxi na linguagem do interior amazônico) cheios de castanha por estradas dentro da mata para quebra de ouriços para a extração do fruto usando terçados (facões)”.
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Gean de Barros foi condenado a pena total de 15 anos e 9 meses de reclusão e 11.655 dias-multa pelos crimes de redução à condição análoga à condição de escravidão (previstos no art. 149 do Código Penal), “pena essa majorada por vitimar menores de idade, além de frustração de direito assegurado por lei trabalhista, segundo o art. 209 do Código Penal e suas variáveis”, diz o consultor João Roberto Soares, 52, que teve acesso a decisão da 2ª Vara Federal da Seção Judiciária do Estado do Amazonas.
De acordo com a sentença, o réu Gean Barros foi também, condenado à reparação mínima dos danos ao pagamento de R$ 50.000,00 (Cinquenta mil reais) a cada trabalhador maior de idade e de R$ 100.000,00 (Cem mil reais) para cada trabalhador menor de idade, cujos valores devem ser atualizados pelo INPC (Índice Nacional de Preço) de março do ano de 2014.
Nessa segunda sentença emitida pela Justiça Federal do Amazonas, além desses crimes cometidos no Castanhal Nova Glória, o réu e ex-prefeito de Lábrea, Gean Barros, “também, teve os seus direitos políticos suspensos enquanto durarem os efeitos da condenação e a perda do cargo de prefeito, ora exercido pelo sentenciado”.
REVIRAVOLTA
Na primeira condenação, em outubro de 2023, a juíza Ana Paula Serizawa Podedworny, da 4ª Vara Federal do Amazonas, condenou Gean Barros, a dois anos de prisão e seu imediato afastamento do cargo de prefeito de Lábrea.
O réu não prestou contas de R$ 1,1 milhão do Ministério da Educação, em 2012, recursos que seriam usados na aquisição de ônibus escolares e aparelhos de ar-condicionado às escolas municipais. Na sentença, deve cumprir dois anos em prisão domiciliar e se afastar do cargo de prefeito. Mas, isso ainda não aconteceu, diz fonte da polícia local ouvida pela equipe de reportagem na segunda-feira, 27.

Gean sofre constantes protestos de servidores da educação
sem receber bônus do Fundeb e predatórios do Fundef
Ele, também, foi sentenciado em mais seis processos por irregularidades atribuídas malversação de dinheiro público e outras infrações em ações patrocinadas por tribunais de Contas do Estado e da União (TCE-TCU), respectivamente, de um total de mais de 170 processos ainda sem julgamento aparente, revela ex-advogado que prestou serviços ao então candidato a prefeito, Gean Campos de Barros, nas eleições de 2012.

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falta de investimento em saneamento
TRISTE HISTÓRICO
Filho do seringalista Francisco de Barros (mais conhecido como Chico de Barros), dono da antiga “Casa Costa”, o filho Gean trabalhou com o pai por longa temporada. Após a morte de “Chico de Barros”, herdou o imóvel e virou lojista como profissão.

Onde o Chico Barros ficou rico antiga casa Barros
A partir dessa época, conheceu a política através do decano da política amazonense, deputado federal Átila Lins (PSD) que o fez, juntamente, com as benções do compadre, senador Eduardo Braga (MDB) e o fizeram prefeito. Segundo moradores, “Gean enriqueceu da noite pro dia” e, rapidamente, ao lado do construtor civil conhecido como “Bode”, se tornou um dos políticos mais ricos da mesorregião amazonense do Purus.
Enquanto a população de Lábrea padece com falta de assistência médica em todos os níveis, Gean Barros (já considerado o réu federal mais ilustre do Amazonas), ele enfrenta acusações de oponentes de “governar Lábrea, em todas as eleições, sob liminares concedidas junto ao Tribunal de Justiça (TJAM) e acolhimento surpreendente emitidas pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-AM)”.
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Atualmente, Gean Barros é acusado também “de ter uma das maiores fortunas do Estado, com o usufruto de empresas, ao menos 15 postos de combustíveis espalhados entre Manaus, os municípios de Manacapuru, Boca do Acre, Coari e em Rio Branco, Capital do estado do Acre”, aponta policial militar aposentado de alta patente, cuja identidade será mantida em segredo.
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Segundo informações esse é dos postos de combustível
do prefeito Gean Barros em Manaus
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