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Canal de Marçal no Discord tem 'muro das lamentações' e ataques contra urnas por derrota
Foto: Reprodução

Comunidade de recortes do ex-coach foi reativada após apuração confirmar que candidato do PRTB ficou de fora do segundo turno em São Paulo

Liberado para acesso logo após a apuração dos votos em São Paulo indicar que o Pablo Marçal (PRTB) ficou de fora do segundo turno, o canal “Cortes do Marçal” no Discord, que durante parte da campanha operou como usina de recortes para redes sociais, rapidamente se tornou uma espécie de “muro das lamentações” de apoiadores inconformados com a derrota. Desde o domingo, eles vem inundando o canal de ataques às urnas eletrônicas, acusações infundadas contra o sistema eleitoral e apelos para que Marçal dispute a presidência em 2026.

 

O laudo toxicológico falso compartilhado por Marçal na última sexta-feira para atribuir a Boulos o uso de drogas também foi objeto de intenso debate. O clima, no geral, é de desânimo com a perspectiva de escolher entre Nunes, chamado “bananinha” pelos membros da comunidade em razão do apelido cunhado pelo ex-coach nos debates, e Boulos.

 

A comunidade, atualmente com 172 mil membros, funciona como um grande grupo de troca de mensagens e conteúdos e chegou a sediar um concurso de vídeos e outros materiais em troca de prêmios em dinheiro que podem chegar a R$ 22 mil reais de acordo com diferentes critérios a partir de recortes de falas de Marçal e dois de seus sócios, Marcos Paulo e Renato Cariani.

 

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Mas, após a medida ser questionada por Tabata Amaral (PSB) na Justiça, os concursos migraram para outros canais do Discord. O chat geral foi mantido o ar, mas sem a disputa entre os usuários, até ser fechado por iniciativa da própria equipe do ex-coach no 7 de setembro – justamente a data em que Marçal e Bolsonaro protagonizaram uma briga pública após o ato bolsonarista na Avenida Paulista que pedia o impeachment do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.

 

“O Boulos jamais chegaria ao segundo turno. Com essa roubalheira do PT, essa vergonha que esse Lula está fazendo, deram um jeito de colocar ele e tirar o Marçal, que ganhou no 1º turno, como fizeram com Bolsonaro”, disparou um dos membros da comunidade. “[Eles] deixam resultados todos próximos e colocam um deles. Agora vão manipular de novo no segundo turno e colocar o Boulos, isso está claro”, completou.

 

“Se isso não foi roubado eu sou o Batman”, ironizou um apoiador. “Tudo bem, a parada do documento [laudo falso] atrapalhou bastante, foi um tiro no pé. Mas que tem treta nas urnas, tem”, declarou outro. “Deixaram o Marçal com 28% para zoar com ele. Pode ter certeza que houve dados alterados”, opinou um terceiro, em referência à coincidência entre o percentual de votos válidos e o número do partido de Marçal, o PRTB.

 

Na visão destes seguidores de Marçal – nem todos eleitores de São Paulo, como vários deixaram transparecer ao longo da troca de mensagens –, a “fraude” seria inevitável porque o ex-coach representaria uma “ameaça contra o sistema” à esquerda e à direita, embora a tese não seja devidamente elaborada.

 

“Se até o Bolsonaro se sentiu ameaçado com o Marçal, vocês acham mesmo que ele iria ganhar”, comentou um integrante. “Bolsonaro está no sistema político, agora sempre estará devendo favores”, respondeu outro.


Houve até espaço para sugestões rocambolescas.

 

“Se todas as pessoas que votaram no Marçal não votarem em ninguém no segundo turno daria pra saber quantos votos ele teve de verdade”, teorizou um deles.

 

Outros atribuíram a derrota de Marçal à atuação do pastor Silas Malafaia, da Assembleia Vitória de Deus Vitória em Cristo. Influente nas redes, Malafaia foi um crítico implacável do ex-coach no primeiro turno – e, em entrevista à coluna Monica Bergamo na Folha de S. Paulo e ao GLOBO, criticou nesta terça-feira a decisão de Bolsonaro de economizar nos ataques ao candidato do PRTB.

 

“Agora é aguentar aquele Judas do Silas Malafaia. Eu sou cristão, mas esse aí está LONGEEEE de ser”, escreveu um apoiador de Marçal ainda no domingo.

 

Mas nem todos os comentários foram sobre o sistema eleitoral. Parte dos membros da comunidade do Discord citaram a divulgação do laudo falso contra Boulos como um erro estratégico, e também criticaram a suspensão das redes do candidato.

 

“Eu queria que o Marçal ganhasse, mas sejamos sinceros. Ele vacilou ao postar aquele laudo”, lamentou um usuário. “Marçal e equipe deram um tiro no pé publicando o laudo falso”, disse outro membro.

 

Houve também torcida para que o ex-coach concorra à presidência em 2026.

 

“O Marçal mesmo perdendo VENCEU! Ele é gigante”, se apressou um dos apoiadores, apesar da possibilidade do candidato do PRTB entrar na mira da Justiça Eleitoral por conta da divulgação do documento falsificado.

 

“A batalha agora é outra, o Marçal conseguiu alcançar o mundo. Será nosso novo presidente! Ele não vai desistir de nós”, respondeu outro.

 

O mix de discurso motivacional e ideológico que marcou a campanha do ex-coach também permeou as respostas ao longo dos últimos dois dias, incluindo críticas aos eleitores que não aderiram à plataforma do candidato por serem produto de um “sistema lixo” que “só ensina as pessoas a trabalhar para terceiros” e provê um “modelo de ensino em que só minorias conseguem alcançar” a prosperidade.

 

São usuários que dedicaram horas a fio nos últimos meses para dissecar centenas de vídeos do candidato derrotado e produzir recortes com o objetivo de monetizar suas redes, resultando em um contato direto e frequente com a “teoria Marçal”.

 

“Bora com Jesus rapaziada, voltamos à ativa. Bora todos prosperar [sic], pegaram o código durante esses dias com Marçal? Bater de frente, não ter medo da carteira de trabalho, manter a postura, e etc... Só nós, aqui é sucesso pra geral”, sintetizou um deles.

 

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Difícil saber até que ponto o exército de Marçal nas redes sociais se manterá coeso fora do contexto eleitoral. Mas é fato que o candidato do PRTB, mesmo derrotado, segue com uma poderosa máquina em mãos enquanto tem seu futuro político indefinido pelos possíveis desdobramentos jurídicos do laudo falso, a bala de prata que saiu pela culatra. 

 

Fonte: O Globo

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