Sidney de Oliveira Bastos Júnior, da Rio 021 Records, foi encontrado em um hotel-fazenda em Minas Gerais; ele é acusado de fazer a contabilidade de facção criminosa no Rio Grande do Sul
O empresário Sidney de Oliveira Bastos Júnior, empresário e CEO do escritório Rio 021 Records, foi preso neste domingo suspeito de ser gerente operacional de uma organização criminosa dedicada ao tráfico de drogas e que dominava o comércio de botijões de gás em Rio Grande, no Rio Grande do Sul.
A Rio 021 Records é um escritório de publicidade que chegou a trabalhar com artistas como as cantoras MC Melody e Treyce, que ficou conhecida pelo hit "Lovezinho", um dos maiores sucessos do carnaval de 2023. Sidney também é amigo de outros artistas, como o cantor Xamã. Foi na casa de Xamã, inclusive, que dois carros de luxo de Sidney foram apreendidos, um Volvo e uma BMW, no dia 29 de junho.
A reportagem ainda não conseguiu contato com representantes dos suspeitos. Em suas redes, a empresa apresentava a MC Melody como uma cliente e divulga a artista. Procurado, Thiago Abreu, pai da MC Melody, afirmou que a empresa apenas vendeu datas do show da cantora, mas não representa a cantora.
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Em nota, a empresa Treyce Music LTDA também negou que a cantora autora de "Lovezinho" seja representada por Sidney. Ela afirmou que ele é "somente um revendedor de shows, comercializando o produto para terceiros, sem nenhum vínculo de representação com a artista" e que possui contrato firmado com esta empresa para aquisição de quinze shows da artista, somente".
A acusação do Gaeco/MPRS e da Polícia Civil gaúcha é de que ele atuava na linha de apoio, responsável pela contabilidade da organização criminosa, controlando o caixa financeiro de todos os negócios do grupo. Ele responde pelos crimes de integrar organização criminosa, extorsão, formação de cartel, ocultação de bens e agiotagem.
De acordo com a investigação, o grupo é acusado de intimidar pequenos comerciantes de Rio Grande, os obrigando a comprarem gás da facção e a praticarem preços tabelados sob pena de terem seus veículos depredados e suas vidas ameaçadas. Alguns empresários do ramo tiveram de abandonar seus comércios por medo.
Ele teria continuado a atuar na organização no Rio Grande do Sul, para onde viajava com frequência, mesmo depois de abrir a Rio 021 Records na cidade do Rio de Janeiro.
De acordo com opromotor de Justiça do Gaeco – Núcleo Região Sul, Rogério Meirelles Caldas, a formação do cartel permitia que a organização vendesse cada botijão de gás, em média, R$ 30 além da margem de lucro. Com isso, em um único mês (fevereiro de 2022), conforme a própria contabilidade do grupo, o cartel fez com que o sobrepreço rendesse quase R$ 500 mil para a organização.
PRISÃO EM HOTEL FAZENDA
Neste domingo, ele foi preso junto com a esposa, Daniela Simon, em um hotel-fazenda na cidade de Bocaína de Minas, no Interior mineiro. Ela responde pelos mesmos crimes do marido. O casal foi cercado e se entregou sem esboçar reação. Os dois estão em uma penitenciária de Minas Gerais e aguardam uma audiência de custódia. Depois, devem ser transferidos para uma prisão do Rio Grande do Sul.
A ação teve a participação dos Gaecos dos três estados e da Coordenadoria de Segurança e Inteligência (CSI) do MPRJ. Ao todo, oito pessoas foram presas desde 28 de junho, entre elas, dois policiais militares que faziam a segurança da organização criminosa.
No final de junho, uma operação da Brigada Militar do Rio Grande do Sul, da Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe), da Receita Estadual, da Polícia Civil do Rio de Janeiro e Gaeco/MPRJ cumpriu 107 mandados judiciais no Rio Grande do Sul, em Criciúma/SC e no Rio de Janeiro/RJ.
Nesse dia, seis pessoas foram presas, entre elas, dois policiais militares que faziam a segurança da organização criminosa. Além disso, foram apreendidos R$ 254.630,00 em espécie, munições, celulares e documentos. A operação contou com 370 agentes, sendo 30 do MPRS, 225 da Polícia Civil, 60 da Brigada Militar, 50 da Susepe e cinco auditores fiscais da Receita Estadual.
Um dos alvos dessa operação era Sidney que conseguiu fugir e, desde então, estava foragido da Justiça.
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Fonte: O Globo