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Chuvas fortes começam a levar desespero por enchentes iminente às populações ribeirinhas e das cidades de mesorregião amazonense do Purus; Prefeituras não apresentam planos de contigência para saúde e desastres naturais. VEJA VÍDEOS
Foto: Divulgação

Avenida. Professor Botinelli a principal da cidade de Canutama

Por Xico Nery, correspodente do "PORTAL DO ZACARIAS" no interior do Amazonas - Nenhum município da Mesorregião amazonense do Purus teria apresentado, nos últimos doze anos, um plano de contingência da saúde e/ou para conter desastres naturais, como alagamentos, enchentes, inundações e enxurradas ante a ameaça de novas enchentes previstas para 2023.

 

A informação não é nova, diz ex-membro do Centro de Monitoramento de Desastres e Crises do Estado do Amazonas. Segundo o ex-agente do Estado amazonense, os rios da região quando cheios costumam romper barreiras de contenção, “muitos das quais, improvisadas e carentes de obras profundas de engenharia pesada”.

 

Das cidades do Purus (Boca do Acre, Pauini, Lábrea até Beruri), o município de Canutama é a bola da vez de todas as enchentes previsíveis, adianta o agente público. Ele aponta ainda que, “a ameaça de deslizamentos de solo e rocha, com quedas de barreiras na cidade e no distrito de Belo Monte, passando por vicinais do Sul do município, são recorrentes em todas as enchentes do rio”.

 

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A área portuária também é invadida pelas "águas grandes" do Purus

 

Desde a frente da cidade, área portuária fluvial, “qualquer leigo faria seu juízo de valor sobre a frágil estrutura de proteção da cidade, ainda, hoje, não mudada pelos prefeitos que entram e saem da gestão”, diz a fonte.

 

Atualmente, a cidade vive sob o espectro ameaçador das últimas enchentes que desabrigam, anualmente, a população ribeirinha da parte mais baixa da cidade. A ameaça de nova cheia do Purus, já causa espanto nas famílias da orla e da beira do rio. “Aqui, todos sabemos, que socorro por parte da Prefeitura nem sempre chega a tempo”.

 

Quem vive e mora na “Cidade Baixa”, em Canutama (da área portuária à metade da Avenida Professor Botinelli), conforme balanço da enchente de 2017-22 feito por vereadores e moradores, “também, sabe, que, o município nunca fez um Plano de Contingência para a Saúde ou Desastres Naturais”.

 

Em Lábrea, a cerca de 93 quilômetros de Canutama, mais conhecida como a “Cidade Polo"sob o comando do "Imperador" Gean Campos Barros (MDB), título dado a ele pelo deputado federal Átila Lins (PSD), as enchentes pouco tem merecido a atenção exigida pela Defesa Civil Nacional”, enfatizam professores rurais e urbanos - ainda sem receberem o bônus de 70% do Fundeb do biênio 2021-22.

 

 

As águas sa enchente destruíram a base da

Estação de Tratamento de água, em Labrea

 

“As águas grandes já começaram a subir vindo dos rios Ituxi e Purus”, diz informe repassado ao “PORTAL DO ZACARIAS" por professores indígenas e rurais. Eles apontam, inclusive, que a área portuária logo será tomada pelas águas.

 

Nos bairros Vila Falcão, Nossa Senhora de Fátima, da Fonte (Rua da Caixa Baixa), Invasão (atrás da área nobre da cidade), e da Estação de Tratamento de Água, “aos primeiros sinais de cheia estão com o alerta vermelho ligado e já temem, como na última enchente, “não terem para onde ir em caso de inundação”.

 

De acordo com ex-membros da Defesa Civil Municipal, o prefeito já foi alertado. Mas, até agora, não reuniu os órgãos responsáveis.
A Secretaria de Saúde, por exemplo, “não teria orçamento para aquisição de água potável, cestas básicas (com todos os ítens relacionados pelo Ministério do Desenvolvimento Social, da Família e dos Direitos Humanos),remédios e/ou pessoal especializado, senão esperar pela ajuda do Governo Estadual e Federal.

 

 

Prefeito "Zé Roberto" e a presidente da Câmara,

Maria do Teixeira, não acordaram para a situação

 

Na última cheia do Purus (2021-22), o Serviço Social da Prefeitura labrense ficou impossibilitado de gerir recursos enviados à Pasta. O gabinete do prefeito absorveu tudo, revelaram as mesmas fontes. Segundo disseram, “as famílias se quer tiveram o aluguel social liberado”.

 

Visão paniramica de Canutama da última

enchente causada pela cheia do Purus

 

Em miúdos, conta historiador labrense radicado na Capital Manaus, “anualmente, as cheias nas cidades da calha do Purus, Médio Purus e do Ituxi, mostram sua cara e dentes arreganhados aos mais pobres”. Ele lembra que, em épocas passadas, não muito distante de 2012-16-20, o Governo Federal teria financiado a construção de casas do Programa Minha Casa Minha Vida, através da Caixa Econômica (CEF) para os municípios doa calha do Purus. E quase nenhum entregou os imóveis construídos, em definitivo.

 

- Até hoje, ninguém viu nem sabe para quê, para onde e para quem o dinheiro das casas para desabrigados e beneficiários do Programa Habitacional do “MCMV” foi, acrescentou o historiador citado nessa entrevista sob sigilo da identidade.

 

Segundo analistas, as prefeituras dos municípios da Mesorregião do Purus, também, precisam ser investigadas no tocante a repasses constitucionais do Governo Federal, “não empregados para os devidos fins do objeto a que se destina por meio de convênios e transferências", e citaram principalmente os valores do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), da Educação Básica, Saúde e dos fundos emergenciais sobre desastres naturais e da Covid-19 durante a pandemia no biênio 2019-22.

 

Possivelmente, apontaram ainda, “o dinheiro da saúde indígena, manutenção de vicinais, reforma e ampliação de Unidades Básicas de Saúde (UBS), Bolsa Família e de outras fontes federais “podem não constar na prestação de das prefeituras ainda não entregues ao Tribunal de Conta da União (TCU)”.

 

 

TRISTE HISTÓRICO

 

Os municípios das calhas do Purus, segundo balanço em poder de agências independentes de monitoramento de crises e desastres naturais, anualmente, “deveriam figurar em situação de atenção e/ou emergência, logo aos primeiros sinais de avanço de uma iminente enchente”.

 

Os agentes consultados apontam, ainda, que, “às vezes, os recursos do Governo são liberados, mas, podem sofrer desvio no meio do caminho e a ajuda humanitária (tão esperada por quem precisa), “não chegaria na outra ponta, a dos verdadeiros atingidos pelas cheias dos rios por falta de um cronograma específico seguido de cadastro sério sob controle social aparente do Serviço Social do município de origem, do Estado e da União”.

 

Em Canutama, além do frágil muro de proteção contra as chamadas “águas grandes do Purus”, o distrito de Belo Monte, também, sofre com erosões, deslizamentos de solo e rochas (primárias), além de quebras de pontes e escadas, tombamentos e rolamentos de encostas.

 

Em Humaitá, cidade considerada polo da calha do Rio Madeira, também, é atingida em todas as cheias anuais. É o caso do distrito de Auxiliadora, cuja área portuária, “está ameaçada de ser engolida pelo rio”.

 

Já em Manicoré, com as cheias dos rios e afluentes do rio Madeira, também, os analistas afirmam que, “a cidade ao que parece foi construída sobre um relevo frágil de compostos de tabatinga e pedras tipo jacaré”.

 

Nessa condição geológica, de caráter primário, bairros da periferia da cidade de Manicoré, como o populoso Andaraí e parte da região central, “ao primeiro sinal de chuva intensa, ruas e vielas ficam alagadas por longo período” - mesmo na estiagem.

 

Nesse diagrama de alagações previsíveis, Nova Olinda do Norte e Autazes, com terrenos mais arenosos e sub-fortificados, “entram na lista de cidades com potenciais de alagamentos”. Porém, por sua proximidade com a Capital Manaus, “o socorro chega mais rápido aos atingidos pelas cheias”, sublinharam analistas.

 

Por outro lado, o “PORTAL DO ZACARIAS” obteve, em primeira mão, a informação dando conta que, “nenhum município das calhas do Purus, Madeira, Juruá, Solimões, Javari e/ou Rio Negro, teriam diretrizes, como objetivo previsível para organização e preparação no atendimento à população afetada por desastres naturais e enchentes no Estado do Amazonas ao não cumprirem, desde então, suas finalidades específicas”.

 

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