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Cineclube de Arte exibe filme de Silvino Santos perdido desde 1930 e encontrado em 2023
Foto: Divulgação

A projeção da obra histórica será realizada neste sábado (18/05), às 18h30, no Cineteatro Guarany

O Cineclube de Arte exibe o filme “Amazonas, o maior rio do mundo”, do cineasta Silvino Santos, no sábado (18/05), às 18h30, com entrada gratuita. A programação é uma realização do Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa, em parceria com a Cinemateca Brasileira.

 

A obra havia sido dada como perdida desde a década de 30 do século passado, o que confere uma aura ainda mais especial à sua projeção no Cineclube de Arte. O filme foi encontrado há alguns meses, na segunda metade de 2023, na Cinemateca de Praga, na República Tcheca.

 

Filmada em 1918, a obra foi rodada no Pará, Amazonas e na região do oriente Peruano e mostra uma viagem fluvial pelo rio Amazonas, focalizando localidades como Belém, campos do Marajó, Santarém, Itacoatiara, Manaus e rio Putumayo.

 

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Após aproximadamente dez anos de exibição em vários países da Europa, o filme foi dado como perdido. A confirmação da identidade da obra, ao ser encontrada em 2023, teve a pesquisa de doutoramento do amazonense Sávio Stoco, na Universidade Federal do Pará, como peça fundamental.

 

“Em fevereiro deste ano, o curador inglês Jay Weissberg, responsável pelo Festival de Cinema Silencioso de Pordenone (Itália), entrou em contato para eu avaliar alguns filmes sul-americanos que localizaram no acervo da Cinemateca de Praga, onde ele fez uma prospecção para organizar a programação deste ano”, conta Sávio Stoco.

 

 

Segundo Stoco, um dos filmes era o mais importante, longa metragem, em ótimas condições de preservação e com narrativa muito atrativa – há muitos anos uma incógnita entre os curadores de Praga.

 

“Jay desconfiou ser o mítico filme perdido de Silvino Santos, ‘Amazonas, maior rio do mundo’, pela semelhança com algumas sequências conhecidas de ‘No paiz das Amazonas’”, afirma o pesquisador.

 

CONFIRMAÇÃO

 

De acordo com o amazonense, a suspeita de que se tratava da obra perdida se deu, também, porque Jay Weissberg fez uma pesquisa prévia por registros brasileiros sobre Silvino Santos.

 

Fotos: Divulgação

 

“Ele localizou minha tese de doutoramento em que eu elaborei um capítulo específico sobre esse filme, com mais de 130 imagens e muitas fontes de descrição textual - inéditas até então. Eu assisti e reconheci nesse filme, todas as imagens, descrições e dados, comparando com a pesquisa que fiz, defendida em 2019”, conta Sávio Stoco.

 

No entanto, conta Stoco, os intertítulos estavam em tcheco e o título traduzido equivale a "As maravilhas do Amazonas", sem menção alguma ao diretor ou país produtor. “Passamos alguns meses analisando com muito cuidado, eu e ele. Mesmo a troca de título estava explicada em minha pesquisa. E os intertítulos em tcheco se explicam, pois a cada país onde o filme passou, houve necessidade dessa tradução, na época”, relata.

 

O pesquisador elenca os locais onde o filme já foi exibido após sua redescoberta: pela sessão em Pordenone (Itália), República Tcheca, São Paulo (Cinemateca Braisleira), João Pessoa (Fest Aruanda), Belém (MIS-PA), Rio de Janeiro e Fortaleza. E reafirma a importância da exibição da obra em Manaus. “Foi em Manaus a cidade onde o filme foi pensado por Silvino e produzido durante cerca de três anos”, afirma Stoco.

 

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Silvino Santos entrou na história do cinema brasileiro com o seu pioneiro documentário “No Paiz das Amazonas” (1922) e como um dos maiores realizadores de não-ficção do país. Em suas memórias, Silvino chegou a contar como seu colega de equipe, Propércio de Mello Saraiva, mudou o título de “Amazonas, o maior rio do mundo”, se passou como diretor do longa e negociou sua venda internacional antes de todos os materiais do filme se perderem pela Europa. 

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