Felipe Villaça nega as acusações e diz oferecer o que há de melhor em cirurgias plásticas; clínica da qual é sócio afirma que clientes são informados dos riscos e assinam termo de consentimento
O médico Felipe Villaça, dono de uma clínica de cirurgia plástica em Belo Horizonte (MG), é alvo de uma investigação na Polícia Civil de Minas Gerais por possíveis erros médicos em procedimentos ocorridos no estabelecimento. Segundo o advogado Francisco Gomes, que representa as vítimas, correm na Justiça de Minas Gerais cerca de dez processos contra o médico, que nega as acusações (leia a nota na íntegra ao fim da reportagem).
Com 164 mil seguidores nas redes sociais, Villaça é dono da rede de clínicas FVG Cirurgia Plástica, com quatro unidades na capital mineira. Em um grupo de WhatsApp, 39 ex-clientes se reuniram após passarem por problemas médicos no pós-operatório — 36 delas, operadas por Villaça, segundo a defesa.
— O que chama a atenção é a repetição. Não é uma queixa individual, não é uma pessoa dizendo. Cada notícia que se dá, cresce o número de vítimas que se apresentam e com um histórico grotesco — diz o advogado Francisco Gomes.
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As principais queixas são de deformação, infecção e até necrose após os procedimentos. Pelo site "Reclame Aqui", uma das vítimas conta que procurou Felipe Villaça depois de ver "bons resultados mostrados em suas redes sociais com blogueiras". Ela conta que "não teve o cuidado de pesquisar mais a fundo" antes da cirurgia de lipoaspiração, depois da qual teve uma "enorme necrose no abdômen e queimaduras nas costas".
"Está sendo um pesadelo, o meu sonho. Uma cirurgia que quase custou a minha vida, além de caríssima", contou a mulher, que diz ter recebido assistência da equipe de Villaça no pós-operatório, mas não do médico pessoalmente. "Acredito que, se ele tivesse ido me ver antes de dar a alta, veria meu abdômen arroxeando".
A mulher conta que ficou com a barriga deformada, com cicatrizes e sem umbigo. Ela diz, ainda, que precisou se afastar do trabalho por causa das lesões.
Procurada, a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) disse que instaurou procedimentos investigativos visando à apuração da conduta do médico. "As investigações se encontram em fase de coleta de provas, e a PCMG orienta que outras vítimas procurem a delegacia mais próxima da residência e registrem os fatos para que sejam devidamente apurados", diz a nota.

Foto: Reprodução
EX-CLIENTES BUSCAM INDENIZAÇÃO
As clientes de Gomes buscam na Justiça de Minas Gerais a indenização pelos danos que teriam sido causados pelo erro médico. As investigações da Polícia Civil, que poderiam levar à acusação de Villaça na esfera penal, seguem independentemente.
— O que pretendemos é a reparação civil, que seja paga uma cirurgia reparadora — explica o advogado, ressaltando que processos como esses podem ser demorados — Cada caso é um caso. Você precisa de um laudo médico que comprove o erro. Não basta pura e simplesmente a aparência. É necessário que outro médico ou a junta médica ateste o erro.
De acordo com ele, a tendência é que o número de ações na Justiça contra o médico e a clínica aumente:
— Você tem um número de vítimas que se apresentou bem significativo, mas nem todas ainda transformaram os casos em processos.
OUTRO LADO
Em nota, a FVG Clínica afirmou ter 13.353 procedimentos realizados e "milhares de vidas transformadas". Segundo o estabelecimento, "é importante reafirmar que toda e qualquer complicação é sempre um evento indesejado para todo paciente e também para todo e qualquer cirurgião".
A clínica ressalta que todo procedimento cirúrgico, seja estético ou não, é invasivo e sujeito a complicações. "Cada organismo é único e, muitas vezes, as reações adversas ocorrem, independentemente da técnica cirúrgica aplicada".
Segundo a clínica, todo paciente é previamente informado sobre os riscos da cirurgia e das possíveis intercorrências. As clientes ainda assinam um termo de consentimento. A clínica afirma ter preparado sua equipe e sua infraestrutura para responder a possíveis complicações, com um núcleo interno de prevenção e tratamento.
"Não teríamos construído a nossa trajetória se as exceções fossem uma regra", diz a nota. "A FVG Cirurgia Plástica se mantém à inteira disposição dessas e de quaisquer outros pacientes para, em conjunto, enfrentarmos qualquer insatisfação", afirmou o estabelecimento.
Ao "Uol Notícias", Felipe Villaça afirmou que a sua clínica oferece "o que há de melhor em cirurgias plásticas no mundo" e que é "perseguido por uma quadrilha" que busca o reembolso e não suporta o sucesso de um médico de 39 anos. Ele disse que a clínica tem 20 cirurgiões e mais de 15 mil cirurgias realizadas, além de um núcleo dedicado ao tratamento de feridas e complicações.
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Fonte: O Globo