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Colombiana parente do ex-comandante das Farc teria obtido registro indígena de forma fraudulenta no interior do Amazonas. Indígenas denunciam 'indústria' de emissão de RANI no estado
Foto: Divulgação

Lideranças genuínas do povo Kokama das Terras Indígenas estiveram com nova Delegada da PF, em Manaus, para relatar ocorrências no Alto Solimões

Por Xico Nery, correspodente do "PORTAL DO ZACARIAS" no interior do Amazonas - Indígenas que se encontram em Manaus à espera de viajar a Brasília pretendem entregar à ministra dos Povos Originários, Sônia Guajajara, os nomes daqueles que estariam envolvidos na emissão ilegal de Registro Administrativo de Nascimento Indígena (RANI) e também na venda desse documento.

 

Segundo lideranças indígenas que moram em reservas e comunidades do município de Santo Antônio do Içá, no Rio Solimões, “a emissão começa por Manaus, onde indígenas não-aldeiados se autointitulam caciques e cacicas para angariar vantagens sobre qualquer um candidato que se apresente interessado em obter auto-declaração em nome de nossos povos”.

 

As fontes citaram a emissão de um RANI em nome de uma suposta indígena que, diante de procuradores da República, em Tabatinga (AM), “se declarara analfabeta digital, não analfabetizada e que teria pai brasileiro”. Porém, foi verificado que ela teria nome e sobrenome colombianos e que é descendente do clã Marulanda, ao qualpertencia o falecido ex-comandante, fundador emblemático e líder histórico das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC-EP), Manuel Marulanda Vélez, mais conhecido como “Tirofijo”.

 

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Indígena ao centro e originário do povo

kokama, em recente encontro que mirou

na cidadania dos antepassados já mortos

 

Além disso, as lideranças envolvidas nas investigações vasculharam e encontraram em orgãos civis de registro na Província de Leticia (Colômbia) antecedentes da suposta indígena auto-intitulada orginária do povo ticuna, depois kokama. Segundo informações, ela teria trabalhado no Instituto de Terras do Estado do Amazonas (antigo Iteam), em ONGs internacionais com escritórios em Manaus e teria passado um curto período no Conselho Indigenista Missionário (Cimi).

 

Atualmente, a suposta indígena, que se apresenta com declaração expedida por um cacique do povo kokama, foi contratada pelo prefeito de Santo Antônio do Içá, Valder Ribeiro da Costa (mais conhecido como Ceceu do Garimpo), tornando-se assessora dos Povos Indígenas na prefeitura do município.

 

Os casos denunciados por indígena, que não aceitam a tutela de Organizações Não-Governamentais (ONGs) e missões religiosas que atuam nas aldeias, serão encaminhados à ministra Sônia Guajajara”, que estará em Manaus em abril deste ano”.

 

ÊXODO INDÍGENA

 

O agravamento da pandemia de Covid-19 no Estado - e seus reflexos nas aldeias - fez com que um "exército" de indígenas deixasse as aldeias em direção a Manaus e a municípios com maior chance de sobrevivência. Em Manaus, a maioria se juntou a parentes em ocupações de terras públicas.

 

 

Em Manaus, terras antes habitadas por indígenas Bares,

Waimiri-Atroari, Manaos e outros, hoje estão sendo

ocupadas por indígenas vindos do interior

 

Nesse meio tempo, os que já estavam assentados nessas propriedades, com aval de caciques dos municípios de origem, entre os quais os das calhas dos rios Solimões, Madeira, Juruá, Japurá, Rio Negro, Baixo Amazonas e dos vizinhos estados do Acre, Roraima e Amapá, segundo lideranças ouvidas pelo “PORTAL DO ZACARIAS”, “teriam montado negócio lucrativo com a emissão de RANI a indígenas e a não-indígenas”.

 

Fontes revelaram ainda que “haveria filhos de servidores da Funai que também se beneficiaram desse tipo de documento autorizado apenas a indígenas, seus ascendentes e descendentes”. Inclusive para ter direito às cotas para matrículas em faculdades, programas de cestas básicas, trabalho, emprego e outros benefícios garantidos a indígenas na Constituição”.

 

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