Nome ganhou força no partido, que espera tirá-la do Republicanos para a empreitada
A secretária de Políticas para a Mulher do governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos), Sonaira Fernandes, desponta como favorita para ser indicada pelo PL a vice na chapa à reeleição do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB). Nos últimos dias, o nome dela se tornou consenso entre o ex-presidente Jair Bolsonaro e o presidente nacional da legenda, Valdemar da Costa Neto, e um acordo que envolve os dois principais caciques do PL parece próximo.
Bolsonaro conversou com a vereadora licenciada no início do mês, segundo apurou O GLOBO, e disse que o nome dela seria uma “preferência pessoal”, além de pedir a ela para que se mantenha longe de polêmicas. Com o nome em mãos, indicado por lideranças do Republicanos, partido ao qual Sonaira ainda é filiada, Valdemar concordou com a escolha e elogiou o perfil. Ele condiciona a indicação, entretanto, a uma migração partidária de Sonaira. Ela já teria sido sondada sobre a troca de partidos.
Na interpretação de Valdemar, o fato de a possível indicada ser filiada ao PL já traria naturalmente os votos do chamado "bolsonarismo raiz". É o vínculo direto à gestão de Tarcísio de Freitas, no entanto, que poderia mobilizar um novo eleitorado para a campanha, nesta avaliação. O dirigente do PL acredita que Sonaira conseguiria atrair admiradores dos dois políticos do campo da direita e se tornaria popular entre as eleitoras deste segmento, caso passasse a frequentar as agendas do PL Mulher, liderado pela ex-primeira-dama Michele Bolsonaro.
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Além de mulher, ela é negra, evangélica e tem uma trajetória de ascensão social: nasceu em Riachão do Jacuípe (BA) e se mudou para São Paulo em 2012. Ela trabalhou como recepcionista e vendedora de lanches para conseguir pagar a faculdade de Direito.
O perfil, na avaliação de pessoas próximas a Nunes, seria uma espécie de “escudo antiesquerda”, por reunir características de grupos tradicionalmente defendidos por partidos como PSOL e PT. Ainda pesa a favor da vereadora licenciada o fato de ter boa relação com Ricardo Nunes e sua mulher, a primeira-dama Regina Nunes, com quem a secretária fez uma série de agendas conjuntas este ano.
Sonaira é tida como um nome de confiança da família Bolsonaro e que tem o apoio da militância, um atributo importante, já que o prefeito é acusado de se distanciar do bolsonarismo. Ela foi uma das poucas eleitas com apoio formal de Bolsonaro na eleição municipal de 2020 — a maioria dos nomes defendidos pelo então presidente da República naufragaram. A atual secretária de Políticas para a Mulher foi estagiária de Eduardo Bolsonaro na época em que ele ainda era escrivão da Polícia Federal.
Os dois viraram amigos e, em 2014, ela foi convidada a participar do comitê de campanha do filho do ex-presidente, que estava se candidatando a deputado federal pela primeira vez. Depois, Sonaira virou assessora de Eduardo em Brasília entre 2015 e 2019, ano em que voltou para São Paulo para trabalhar como chefe de gabinete do deputado estadual Gil Diniz. Em 2020, a pedido de Eduardo, ela disputou uma vaga na Câmara Municipal de São Paulo e foi eleita.
O presidente do PL fechou as portas para uma candidatura própria encabeçada pelo deputado federal Ricardo Salles, de olho em manter a sigla na base de apoio de Nunes.
Entretanto, o partido não tem pressa em entregar uma carta de desfiliação ao parlamentar, o que permitiria uma candidatura por outra legenda. Em conversa com Bolsonaro nesta terça-feira, Valdemar pediu tempo para que pudesse negociar os termos do desligamento com as lideranças estaduais. A decisão ficou para a próxima semana. Alguns dos membros do diretório local defendem que Salles não deve ser liberado, ficando preso ao PL. Caso isto ocorra, o ex-ministro do Meio Ambiente precisaria judicializar a sua saída, o que significaria um desgaste.
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O presidente do PL, entretanto, sinalizou a Bolsonaro que não pretende impedir os planos políticos e vai liberá-lo. Na visão dele, restará a Salles se filiar a um partido sem tempo de TV e, por isto, ele já verbalizou a Bolsonaro que o PL não se juntará à empreitada, fazendo com que o único espaço ao candidato se restrinja aos debates.
Fonte: O Globo