A luta contra o avanço do neonazismo no Brasil, um fenômeno que vem sendo registrado no país nos últimos anos, perdeu uma de suas principais colaboradoras: morreu no domingo, 30, a antropóloga Adriana Dias, uma das maiores pesquisadoras sobre os movimentos supremacistas brasileiros e ativista pelos direitos humanos. Ela lutava contra um câncer cerebral.
Doutora em antropologia pela Unicamp — onde defendeu a tese “Observando o Ódio”, na qual traça paralelos entre o neonazismo global e os movimentos de direita no Brasil –, Adriana atuava como uma “caçadora de nazistas” na internet.
Ela dedicou grande parte da vida ao mapeamento e denúncias de células neonazistas nas redes sociais, aplicativos de mensagens e na deep web, o submundo da internet. Seu trabalho serviu como referência para investigações do Ministério Público e da polícia de Santa Catarina.
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O monitoramento feito pela antropóloga, divulgado em uma reportagem de VEJA publicada em novembro, mostra que o número de células neonazistas no país passou de 72 em 2015 para 1.117 em 2022. Esses grupos atuam no Facebook, Instagram, Twitter e em plataformas menos conhecidas, como a rede social russa VK e a americana Gab, além de fóruns on-line e endereços da deep web.
O discurso antissemita, racista e xenofóbico também é comum no Telegram, onde usuários declaradamente neonazistas não se preocupam em se esconder.A presença desse tipo de criminoso no país não é novidade, mas foi em 2019, após a eleição de Jair Bolsonaro, que o fenômeno se multiplicou. Na esteira do discurso radical do chefe do Executivo e da ascensão da extrema direita, esses grupos se sentiram autorizados a avançar. Um dos principais achados da pesquisadora é uma carta do ex-presidente em um site neonazista — escrita quando ele ainda era deputado, em 2004.
No documento, Bolsonaro agradecia aos apoios recebidos. “Todo retorno que tenho dos comunicados se transforma em estímulo ao meu trabalho. Vocês são a razão da existência do meu mandato”, escreveu na mensagem.
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Adriana também era referência na luta pelos direitos das pessoas com deficiência, integrou a Frente Nacional de Mulheres com Deficiência e foi coordenadora da Associação Vida e Justiça de Apoio às Vítimas da Covid-19. A antropóloga ainda colaborou com a equipe de transição do governo de Luiz Inácio Lula da Silva.

Foto: Reprodução
O ministro dos Direitos Humanos, Silvio Almeida, publicou uma nota de pesar pela morte de Adriana Dias. “Adriana foi figura importante na composição da nova gestão.
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Foi uma mulher com deficiência de referência para nós e nos estudos sobre neonazismo. Aguerrida ativista pelos direitos humanos, colaborou na efetiva denúncia de ações nazistas no Brasil. Expressamos aqui nossa homenagem em agradecimento a essa grande mulher, e enviamos nossos sentimentos à família.”
Fonte: Revista Veja