A subida do Rio Purus preocupa moradores com nova enchente
Por Xico Nery, correspodente do "PORTAL DO ZACARIAS" no interior do Amazonas - Todos os municípios da mesorregião amazonense do Purus podem entrar em estado de alerta caso o nível dos rios Acre e Purus continue subindo acima dos 5 centímetros por dia, é o que afirmam moradores de Boca do Acre e Pauini, os mais próximos da divisa com o vizinho estado acreano.
Apesar dessa alteração registrada, diariamente, as duas cidades amazonenses devem manter apenas o “estado de alerta”, segundo moradores. Em Pauini, a atenção se volta às comunidades do Baixo Purus, área de maior concentração de pessoas e suscetíveis de alagamento por já ter pontos críticos registrados em todas as enchentes.
Em 2009, 2014 a 2021, nessa microrregião do município, a população das áreas de várzeas foi obrigada a abandonar parte das propriedades, criação doméstica e plantações. A maioria foi forçada a sair com o avanço das águas dos rios Acre e Purus.
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A cidade de Pauini não alaga, com exceção de uma área conhecida como Trapicho, localizada na orla, diz o morador Israel Amorim (mais conhecido como Barbudão) ao demonstrar preocupação com a população do Baixo Purus, “os mais atingidos pelas enchentes”.
Em Lábrea, o nível se manteve estável e o movimento é considerado normal desde a semana passada. Nessa cidade, por falta de drenagem e rede de esgotos, “moradores da orla, da Vila Falcão, Nossa Senhora de Fátima, Barra Limpa, Favela e da Fonte, este ano, correm os mesmos riscos”, admitiram fontes.
Entre os municípios que compõe o arco das enchentes do Purus, segundo fonte da Defesa Civil Municipal, a cidade de Canutama, “foi a mais afetada na enchente de 2014 e 2021”, ao registrar a maior alagação de todo os tempos. Os prejuízos foram incalculáveis às pessoas, ao comércio e ao poder público local.
Na terça-feira, 5/03, o nível do Rio Purus em Canutama subiu de 4 a 5 cm, na região do bairro São Pedro. O alerta, segundo empresários da cidade, “está dado” e há a previsão de que até o dia 20 as águas venham a ultrapassar níveis anteriores para o período.
Em Tapauá, para este ano, se o rio transbordar na cidade vizinha de Canutama, fatalmente, “quem mais será atingida serão as famílias das palafitas do beiradão da cidade e das encostais”, cujo é maior por causa das erosões, previu o pescador Elias, 64 anos.
Uma possível nova enchente este ano, pode apresentar mais um grande perigo à população do município Beruri e Anori. Ambas, por sua localização geográfica imediata à região de extensa várzea, “de todo o Purus, ao lado de Canutama, é sempre alvo de desbarrancamento em suas encostas”.
É o que disse ex-construtor naval conhecido por “Henrique do Regatão”, 59 anos, ao prevê que, “com esse sobe e desce das águas, ainda assim, todos devem ficar em alerta para o risco de uma nova grande enchente”.
Em Beruri, em 2023, o Rio Purus na vazante foi protagonista do maior desbarrancamento da história da região. Em 2014, moradores da Comunidade Arumã, a mais de 3 horas de embarcação da sede alertaram o prefeito da época, sobre possível erosão no local.
Em 2023, a um ano do fim do mandato, a prefeita Maria Lucir dos Santos de Oliveira (MDB), voltou a ser alertada sobre os riscos de desabamento de encostas. “Não deu outra e ao menos 40 casas foram engolidas pelo rio, com mortes e desaparecimentos”.
Sem medidas suficientes e capazes de prevenir outras tragédias, a população de Arumã intensificou a cobrança pela reconstrução e o pagamento do aluguel às famílias resgatadas pela prefeitura e levadas à cidade.
Na cidade, os bairros Santa Luzia e da Ponta da Olaria, já demonstram que o nível do Rio Purus continua subindo e pode, em poucas semanas, “sinalizar novos riscos aos moradores das palafitas construídas ao longo da orla”, afirmam pescadores locais.
Nas regiões mais baixas do Rio Purus, a partir da cidade de Boca do Acre, rotineiramente atingida pela subida dos rios Acre e Purus, experientes servidores afirmam que, “todas as cidades da região são atingidas pelas enchentes”.
Em todas as enchentes, Boca do Acre, Lábrea, Canutama, Tapauá e Beruri são os mais atingidos. Segundo fontes, “várias são as causas das enchentes urbanas”. As chuvas afetam, também, o setor, já que o piso rebaixado das casas, acúmulo de lixo nos bueiros, drenagem e saneamento insuficientes contribuem às alagações.
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Chuvas intensas durante vazantes e cheias dos rios, nos últimos anos, possibilitaram aos municípios do Purus “conviverem com vários tipos de tragédias naturais”, entre desbarrancamentos, perdas de propriedades e mortes na região de várzea com sinistros de curta duração, aponta acadêmico indígena Apurinã que cursou a Universidade Nacional de Brasília (UNB).
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