Já se passaram duas décadas desde que a Alemanha abandonou o rótulo de “homem doente da Europa”, mas a frase está de volta
Como se fosse uma maldição, tudo que poderia dar errado para a Alemanha nos últimos tempos, tem dado.A indústria do país sofre o mais longo retrocesso de sua história, superando até mesmo a crise financeira de 2008. Suas exportações enfrentam uma fortíssima concorrência no mercado global, e seu crescimento, dizem os economistas, evitou a recessão por uma questão meramente técnica.
No Fórum Econômico Mundial de Davos, o ministro das Finanças alemão, Christian Lindner, negou que os problemas tenham tornado a Alemanha o "doente da vez" da Europa.Mas, segundo os economistas, a fragilidade da maior economia da Europa revela problemas estruturais difíceis de se resolver no curto prazo.A conexão destinava-se a transportar gás natural da Rússia para a Alemanha através do Mar Báltico, garantindo energia barata a todos os setores da economia.
Mas após a invasão da Ucrânia e a ruptura da Europa com Putin, a Alemanha perdeu seu principal fornecedor."Todos os modelos de negócio da Alemanha industrial e, na verdade, de toda a sociedade, eram baseados na disponibilidade abundante e barata de hidrocarbonetos, sem limite, que viriam pelos gasodutos da Rússia", assegura Díaz-Giménez.
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“Vivíamos num mundo em que, com dinheiro, você poderia comprar o que quisesse, de quem quisesse. Mas no mundo de hoje, não. Agora, ter dinheiro não vale nada. Você tem que ter dinheiro e amigos" e, não é segredo para ninguém, a Rússia não é mais parceira de nenhuma nação europeia.
"Todos esses modelos de negócios baseados em energia abundante, barata e suja estão sofrendo agora", diz o economista do IESE.A ápice disso para as empresas alemãs foi a decisão de fechar as centrais nucleares do país.E as marcas alemãs de maior renome, que vendem no exterior enormes quantidades de automóveis, máquinas e produtos farmacêuticos, químicos e eletrônicos, passam por momentos difíceis.

Foto: Reprodução
"Estamos acostumados com essas grandes marcas do passado e queremos fazer o possível para tê-las no futuro", diz Verena Pausder, uma empresária alemã de sucesso que acredita ver muito claramente onde a economia alemã vai mal.E às vezes colocamos muita energia em preservar o que temos em vez de investir em coisas novas", explica."Receio que vamos perder o futuro porque corremos muito poucos riscos"
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Pausder, que também é presidente da Associação Alemã de Startups e fundadora do desenvolvedor de aplicativos infantis Fox & Sheep, acredita ser necessária uma "mudança de mentalidade"."O velho modelo alemão dependia de uma relação amigável com a Rússia para garantir energia barata, outra com a China para garantir um grande mercado, e do guarda-chuva dos EUA para as necessidades de segurança", explica Raphael Olszyna-Marzys, economista internacional da J. Safra Sarasin Sustentável AM.
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Mas o gigante asiático subiu rapidamente na cadeia de valor e hoje compete diretamente com a Alemanha em algumas de suas principais indústrias, como a automotiva.“A China ocupa o quarto lugar nas exportações alemãs de bens. Por isso, a fraqueza econômica chinesa é sentida na economia alemã mais do que em outras. E como as empresas chinesas conseguiram subir na escala da inovação, a China não é mais apenas um mercado de exportação, mas também um concorrente", diz Martin Wolburg, economista sênior da Generali AM."Os fabricantes de automóveis alemães têm de se atualizar no âmbito dos veículos elétricos", acrescenta.
Fonte: BBC