Poluição do ar está relacionada com 49 mil mortes por ano no Brasil, aponta estudo
Os incêndios florestais que se alastram por vários Estados do Brasil deixam um rastro de destruição, geram imagens impressionantes e causam profundos danos na saúde das pessoas.Mas será que existem algumas estratégias para minimizar esses riscos e proteger o corpo das ameaças relacionadas à intensa poluição do ar?
Em comunicado divulgado no domingo (25/8), o Ministério da Saúde traz uma série de recomendações para evitar a exposição à fumaça — ou diminuir a probabilidade de o contato com o material do fogo fazer mal.
A primeira orientação é caprichar na hidratação. De acordo com o texto, "aumentar a ingestão de água e líquidos ajuda a manter as membranas respiratórias úmidas e, assim, mais protegidas"."Além disso, é importante observar a urina. Se ela ficar escura, é sinal de que o corpo está mais desidratado e o sangue começa a ficar concentrado demais", diz ele.
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Esse sangue "concentrado" pode representar um perigo para pessoas que já sofrem com doenças cardiovasculares, pois aumenta o risco de entupimentos nos vasos que irrigam o coração, o cérebro e outros órgãos vitais.
"Esse cuidado com a ingestão de líquidos também é importante para idosos, que perdem a sensação subjetiva de sede, e para bebês ou crianças pequenas, que dependem de alguém ofertar água para eles", complementa o especialista.O ministério também sugere que as pessoas reduzam “o tempo de exposição” aos poluentes. Para isso, deve-se permanecer “dentro de casa, em local ventilado, com ar condicionado ou purificadores de ar”.

Bacias cheias d’água e panos molhados espalhados pelos cômodos podem ser alternativas mais baratas aos purificadores."As portas e as janelas devem permanecer fechadas durante os horários com elevadas concentrações de partículas, para reduzir a penetração da poluição externa", continua a nota do ministério.Saldiva avalia que medidas do tipo — como fechar a casa e ligar o ar condicionado — podem até ajudar, mas elas não estão disponíveis para a maior parte da população.
"As queimadas representam uma vulnerabilidade a mais justamente para aqueles que já correm um maior risco", destaca o patologista.O ministério pede que a população evite “atividades físicas em horários de elevadas concentrações de poluentes do ar, e entre 12 e 16 horas, quando as concentrações de ozônio [um tipo de poluente] são mais elevadas”.Outra dica envolve cobrir nariz e boca com máscaras cirúrgicas, panos, lenços ou bandanas para reduzir a exposição às partículas grossas. Isso vale especialmente para os indivíduos que moram em regiões onde há focos de queimadas.
Essa medida pode amenizar o desconforto na hora de respirar — a inalação desse material pode causar uma irritação forte no nariz e na garganta (veja mais a seguir).O governo também indica o uso de máscaras capazes de filtrar partículas mais finas,. Os modelos são os mesmos que ficaram conhecidos durante a pandemia de covid-19, como a N95, a PFF2 e a P100.
ATENÇÃO EM DOBRO PARA GRUPO DE MAIOR RISCO
Alguns públicos precisam ter um cuidado redobrado, pois os efeitos da poluição podem ser ainda mais graves neles.É o caso de crianças menores de 5 anos, gestantes e indivíduos acima dos 60 anos.Além de todas as medidas citadas acima, essas pessoas devem ficar atentas a qualquer sintoma — como dificuldades para respirar, mal estar, tosse, entre outros — e buscar atendimento médico o mais rápido possível.
Já os indivíduos que possuem alguma doença crônica — caso de asma, DPOC, diabetes, hipertensão, etc. — podem conversar com o médico que realiza o acompanhamento do quadro para verificar que há necessidade de fazer ajustes nas dosagens das medicações de rotina.

Fotos: Reprodução
"Muitas vezes, os poluentes que vêm das queimadas geram uma queda na oferta de oxigênio para o corpo e, com isso, representam o fator de desequilíbrio, o gatilho necessário para o desenvolvimento de quadros mais graves, como um infarto agudo do miocárdio", resume o médico Antônio Carlos Palandri Chagas, ex-presidente da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp).
"Portanto, se o indivíduo estiver com sintomas, como uma dor no peito, é importante buscar os serviços de emergência o mais rápido possível", reforça o especialista, que também é professor titular da Faculdade de Medicina do ABC, na Grande São Paulo.Para as enfermidades que têm medicações usadas especificamente em momentos de crise, como a asma, vale reforçar o estoque de doses em casa, discutir com o profissional de saúde o momento adequado de fazer o uso delas e, claro, buscar o atendimento de emergência caso os incômodos não melhorem.
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O Ministério da Saúde também recomenda que pacientes com quadros crônicos avaliem "a necessidade e a segurança de sair temporariamente da área impactada pela sazonalidade das queimadas".
Fonte: BBC