O presidente da COP 28, Sultan Al Jaber, chamou o acordo de histórico, mas acrescentou que o seu verdadeiro sucesso estaria na sua implementação
O fim dos combustíveis fósseis não foi decretado, mas os países concordam que é preciso se "afastar" deles, começando ainda nesta década.
Esta é a principal conclusão da 28ª conferência do clima da Organização das Nações Unidas (ONU), a COP 28, que terminou nesta quarta-feira (13) com um acordo negociado entre 195 países.
Veja, abaixo, um resumo dos principais pontos:
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Pela 1° vez, os países concordaram é preciso fazer uma "transição energética" para redução do uso combustíveis fósseis.
No entanto, não cita a eliminação de combustíveis fósseis — ideia que não agradou os ambientalistas.
Acordo propõe que seja triplicada a capacidade de energia renovável a nível mundial até 2030.
O texto final foi divulgado nesta madrugada, quase 24 horas depois do prazo inicial. Marcada pela forte oposição dos países produtores de petróleo que buscavam evitar diretrizes mais imediatas pelo fim do uso da energia suja fossem adotadas, o texto final ficou distante do que desejavam os especialistas que alertam para a urgência do fim do uso do carvão, petróleo e gás.
Cientistas do clima e demais especialistas desejavam que o documento final utilizasse a expressão "phase out", no sentido de eliminar os combustíveis fósseis.
Mas, por outro lado, é a primeira vez desde 1994, quando a Convenção do Clima da ONU entrou em vigor, que os países concordam que é preciso deixar de usá-los em seus sistemas energéticos.
PONTO-CHAVE: O acordo reconhece que é necessária a redução, mas não diz como isso será feito e não cita a eliminação, que é uma meta já acordada para 2050, data estipulada pela ONU para não ter mais emissões de gases de efeito estufa.
A medida visa reduzir a utilização de carvão, ao mesmo tempo que busca acelerar o uso de tecnologias para captura e armazenamento de carbono.
Agora, os países são responsáveis por cumprir os acordos através de políticas e investimentos nacionais.
Ao longo da conferência do clima, mais de 100 países tentaram fazer um lobby para eliminar gradualmente o uso de petróleo, gás e carvão. Incluindo regiões conhecidas como SID, ou pequenos estados insulares em desenvolvimento, que, na prática, são mais vulneráveis ??aos impactos das mudanças climáticas e aos desastres naturais.
O grupo contou com o apoio de grandes produtores de petróleo e gás, como os Estados Unidos, o Canadá e a Noruega, juntamente com o bloco da União Europeia (UE) e vários outros governos.
Porém, encontraram forte oposição da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), liderado pela Arábia Saudita, que argumentou que o mundo pode reduzir emissões sem evitar a eliminação de combustíveis específicos.
O grupo controla quase 80% das reservas de petróleo do mundo — e os seus governos dependem fortemente dessas receitas.
O presidente da COP 28, Sultan Al Jaber, chamou o acordo de "histórico", mas acrescentou que o seu verdadeiro sucesso estaria na sua implementação.
“Somos o que fazemos, não o que dizemos”, disse Al Jaber. “Devemos tomar as medidas necessárias para transformar este acordo em ações tangíveis”.
Vários países também aplaudiram o acordo por ter conseguido algo difícil em décadas de negociações sobre o clima.
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“É a primeira vez que o mundo se une em torno de um texto tão claro sobre a necessidade de abandonar os combustíveis fósseis”, disse o ministro dos Negócios Estrangeiros da Noruega, Espen Barth Eide. "Tem sido o elefante na sala. Finalmente abordamos isso de frente."
Fonte: O Globo