Em depoimento à Polícia Federal (PF), o coronel da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) Jorge Eduardo Naime Barreto afirmou que o Exército Brasileiro "frustrou todos os planejamentos e tentativas" de desmobilização do acampamento golpista que foi montado em frente ao Quartel-General da Força, no Setor Militar Urbano, em Brasília.
Naime Barreto foi detido na terça-feira (7) na 5ª fase da operação Lesa Pátria, que busca investigar os envolvidos nos atos do dia 8 de janeiro – quando bolsonaristas radicais invadiram e depredaram as sedes dos três Poderes. Ele chefiava o departamento operacional da PMDF.O coronel contou à PF que, em dezembro do ano passado, participou de uma reunião no Palácio do Planalto com integrantes da Segurança Pública do DF em que foi detalhado o planejamento para a retirada das pessoas do acampamento.
Segundo Naime Barreto, a desmobilização dos golpistas ocorreria antes da posse de Luiz Inácio Lula da Silva como presidente da República – em 1º de janeiro deste ano. O coronel afirmou que a Polícia Militar "colocou todos os meios necessários à disposição do Exército Brasileiro".
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"Que a PMDF colocou todos os meios necessários à disposição do Exército Brasileiro (mais de 500 policiais, tropa de choque, aeronave, etc.); que ficaram em condições para efetuar a operação de retirada do acampamento", detalhou Naime Barreto à PF.
O coronel disse, no entanto, que "posteriormente chegou a informação que o general Dutra [comandante militar do Planalto à época], por ordem do comandante do Exército, havia suspendido a operação". Ele completou:
"[...] Essa foi apenas uma das reuniões com esse objetivo, mas Exército frustrou todos os planejamentos e tentativas".
No dia 29 de dezembro, o Exército informou que decidiu adiar uma operação. A medida foi motivada, de acordo com a Força, para preservar a segurança dos envolvidos.
O acampamento bolsonarista só foi desmontado em 9 de janeiro – um dia após os atentados contra o Congresso Nacional, o Palácio do Planalto e o Supremo Tribunal Federal (STF). Mais de 1 mil suspeitos foram presos em flagrante pelo envolvimento nos ataques.
A TV Globo pediu esclarecimentos para o Exército, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem.
APAGÃO DA INTELIGENCIA
Naime Barreto também afirmou à PF que acha que houve um "apagão total da inteligência" durante os atos golpistas.
No dia 8 de janeiro, o coronel estava de férias, mas foi visto na Esplanada dos Ministérios. No depoimento, ele disse que foi ao local para ajudar os policiais militares.
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Outro policial militar detido pela operação Lesa Pátria, o tenente Rafael Pereira Martins, declarou para a Polícia Federal que o baixo efetivo da PM na Esplanada "ocasionou a dificuldade em conter os manifestantes".
Fonte: G1