Polícia Civil de São Paulo pediu até o contato de repórteres que assinam matéria publicada pela Folha de S. Paulo
O despacho da corregedora, obtido pelo blog, foi assinado apenas duas horas e meia depois de o jornal Folha de S. Paulo publicar uma reportagem afirmando que o ex-chefe da Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação do TSE Eduardo Tagliaferro levantou informações sigilosas – com a ajuda de um policial civil de São Paulo – envolvendo possíveis ameaças à segurança de Alexandre de Moraes e seus familiares, como mensagens publicadas nas redes e duas encomendas de origem suspeita enviadas para a mulher do ministro, a advogada Viviane Barci.
Segundo a Folha, Tagliaferro teria levantado as informações a pedido do policial militar de São Paulo Wellington Macedo, que atua no gabinete de Moraes no STF. Na época dos fatos, entre agosto e dezembro de 2022, o ministro do Supremo também atuava no TSE, acumulando funções nos dois tribunais. Moraes chefiou a Corte Eleitoral até junho deste ano.
Em uma das mensagens reveladas pela Folha, Tagliaferro afirma a Macedo que possui acesso ao sistema da Segurança Pública de São Paulo, com o uso de senhas de acesso restrito, por conta da “relação de confiança” com esse amigo policial civil cujo nome não é citado na reportagem.
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“Juntada matéria jornalística recebida do Excelentíssimo Senhor Delegado Geral de Polícia (Artur José Dian) dando conta de possível vazamento de informações por policiais civis. Assim sendo, encaminhe-se à Divisão Operacional, com a máxima urgência, para diligências investigativas preliminares”, determinou a corregedora, sem especificar as medidas que deveriam ser adotadas.
CONTATO DOS JORNALISTAS
Em outro despacho sigiloso da Polícia Civil de São Paulo obtido pelo blog, de 26 de agosto, o delegado de polícia Humberto César Temóteo Ribeiro, que atua no Serviço Técnico de Prevenção e Repressão às Infrações Funcionais, determina a realização de pesquisas “buscando qualificar” Tagliaferro, o policial Wellington Macedo, “tal qual levantar contato dos responsáveis pela reportagem de origem”, os jornalistas Fábio Serapião e Glenn Greenwald, que assinam a reportagem da Folha que levou à abertura do procedimento.
Procurada pela equipe da coluna, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo se limitou a informar que após tomar conhecimento da reportagem, “instaurou procedimento investigativo na Corregedoria da Instituição” e que “as apurações tramitam em sigilo, como prevê a Lei Orgânica da Instituição”.
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O blog questionou a Secretaria sobre os motivos de apenas o TSE aparecer na condição de “interessado” no despacho da corregedora, indagou se o próprio tribunal acionou a Polícia Civil de São Paulo para tratar do episódio e cobrou esclarecimentos do órgão sobre os motivos de ir atrás dos contatos dos repórteres que assinam a matéria da Folha, mas não obteve resposta a essas perguntas na nota enviada por e-mail.
Fonte: O Globo