Por Xico Nery, correspodente do "PORTAL DO ZACARIAS" no interior do Amazonas - Ao menos 67% das Organizações Não-Governamentais (ONGs) que atuariam na mesorregião amazonense do Purus na suposta proteção do meio ambiente teriam caráter religioso e privado sob a chancela de grupos vinculados a políticos e entidades criadas para fins e meios ainda não esclarecidos.
Essa manifestação partiu de agentes do Estado nas calhas dos rios Madeira, Purus, Solimões, Rio Negro e Juruá no último final de semana que sustentaram ao “PORTAL DO ZACARIAS” que os municípios de Lábrea, Canutama, Tapauá, Pauini, Boca do Acre, Beruri, Humaitá, Manicoré, Novo Aripuanã, Borba, Nova Olinda do Morte e Autazes, que o objetivo de todos sempre foi: política, religião e interesses econômicos.
Segundo informações, “não importa o caráter, todas elas escondem os verdadeiros objetivos de suas criações, instalações e funcionamento, se em aldeias indígenas, ribeirinhas, se nas cidades e/ou em Capitais dos grandes centros”. Essas entidades, têm conhecidos financistas, com dinheiro público ou privado, do País ou do Capital internacional.
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Para a Assistente Social, Francisca Souza da Silva, de 59 anos, “o Estado brasileiro as financia nos rincões e na vista de todos, subscrevendo convênios e projetos passados, inclusive, no Congresso Nacional”. Essas entidades, cuja finalidade não seria lucrativa, ao final, acabam servindo de trampolim para políticos, religiosos e empresários do agronegócio ”.
De 100%, ao menos 67% dessas organizações seriam de cunho protestante, parte delas com origem nos Estados Unidos, Israel, Irlanda, Espanha e Países Baixos. Da noite pro dia se tornam “defensoras das populações tradicionais, justamente, onde há ocorrências de minérios, terras raras, fauna e flora abundante em que nativos possam ser manipulados em troca de qualquer ajuda compensatória”, ela acrescentou.
Do mundo católico, segundo dados obtidos pela reportagem desde 2019,entidades vinculadas à Igreja Católica, a maioria sobreviveria com recursos próprios, tanto dos fundos internos quanto externos e externos que garantiriam a manutenção de projetos humanitários e evangelização no campo Brasil”.
No campo protestante, fontes familiarizadas com o assunto junto a um deputado federal e outra a um deputado estadual, “ambos sempre obtiveram recursos públicos para ONGs religiosas”. No Amazonas, disseram, “liberação de dinheiro público para organizações de fachadas sempre existiu no Amazonas e no país”.
- Só mudam os endereços e os nomes quase sempre são os mesmos das denominações convenentes”, acrescentaram as mesmas fontes.
Foi em 2019 que o primeiro requerimento da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Organizações Não-Governanmentais (CPI das ONGs), foi apresentado pelo senador tucano amazonense, Plínio Valério. Porém, lido em plenário apenas no ano passado. Em 2023, 38 assinaturas legitimaram o funcionamento da CPI.
O efeito positivo dessa CPI das ONGs já começa a ser sentido até mesmo antes dos trabalhos começarem (principalmente nos municípios da Calha do Purus, do Madeira e do Rio Negro). Nessas regiões, políticos que apadrinharam “emendas a entidades desse campo de atuação não-governamental, de 2019-22, também, poderão ser surpreendidos ao serem convocados a depor aos Senadores”, garantiu fonte credenciada no Estado.
Em Lábrea, entidades que estariam por trás de Organizações Não-Governamentais (ONGs) que patrocinam planos de manejos madeiras, de pescado (Tambaqui e Pirarucu e outras espécies cobiçadas no mercado), de acordo com informações, “já tiveram seus nomes, endereços remetidos aos senadores que compõem a CPI, no Senado”.

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Entre as organizações mais visadas a serem reveladas à CPI das ONGs, sob a condição de anonimato das fontes, figuram as ligadas a grupos religiosos localizada na Reserva Extrativista Ituxi. A entidade recebeu apoio incondicional da gestão 2019-22 da Unidade Avançada do ICMBIO para plano de manejo madeireiro e de Pirarucu sob Jair Bolsonaro.

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A atuação desta entidade, segundo relatos de agroextrativistas, indígenas e ribeirinhos, nos últimos 20 anos, “é bastante polêmica pelo fato de atuar no campo do pescado e madeireiro e que estaria vinculada a políticos dominantes, do momento”. Em 2022, a presidente - o nome ainda não será revelado - foi autuada em R$ 30 mil por captura ilegal de quelônios pela ex-Gestora do ICMBIO, Wanderleide Ferreira de Souza.
A organização, também, é a líder em planos de manejos florestais madeireiros e de pescado dentro da Reserva Ituxi. Em 2022, sob a chancela da presidente anônima, uma ONG com sede em Manaus distribuiu 18 motosserras e 11 celulares à Comunidade Floresta enquanto ao menos 500 hectares foram demarcados para novo manejo.
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Segundo relatos de comunitários, essa prática desse tipo de organização no interior do Estado, “é usual entre ribeirinhos que tentam denunciar irregularidades de organizações que exploram recursos naturais da Resex Ituxi e do Médio Rio Purus, “e que nunca foram incomodadas pela fiscalização do ICMBIO e do Ibama”, arremataram as fontes, para nominarem essa atitude como um gesto de dar presentes aos nativos".

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