Além da crítica velada à UE, outro tópico cobra acesso preferencial para produtos florestais nos países ricos
A declaração de florestas da Cúpula da Amazônia tem uma crítica clara à adoção de barreiras comerciais que venham mescladas com medidas ambientais. O texto não menciona, mas a mensagem é direcionada à União Europeia.
“Observando que a cooperação internacional é a via mais eficaz para apoiar nosso compromisso soberano de redução das causas do desmatamento e da degradação florestal, condenamos a adoção de medidas para combater as mudanças climáticas e proteger o meio ambiente”, diz o texto, “incluindo as medidas unilaterais, que constituam um meio de discriminação arbitrária ou injustificável ou uma restrição disfarçada ao comércio internacional.”
O Brasil tem criticado a legislação anti-desmatamento da UE como uma “medida unilateral”.
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A declaração é curta, tem apenas dez pontos. Dois deles são dedicados ao comércio. Além da crítica velada à UE, outro tópico cobra acesso preferencial para produtos florestais nos países ricos, como “importante alavanca para o desenvolvimento econômico dos países em desenvolvimento.”
A declaração busca, também, ter apelo político junto a outros países “detentores de parcela significativa da biodiversidade global”. A ideia é “lutar para que nossos países tenham maior influência sobre a gestão de recursos destinados à conservação e ao uso sustentável da biodiversidade.”
Um tópico específico convida outros países em desenvolvimento, donos de florestas tropicais, ao diálogo com este grupo. E dá pistas do caminho que desejam trilhar – a conferência sobre mudança climática da ONU em Dubai, em dezembro (COP 28) e a de biodiversidade (COP 16, em 2024). “E demais conferências internacionais relevantes”, diz o comunicado.
A declaração é assinada pelos líderes dos oito países da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OCTA) -- Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela --e incluiu mais quatro convidados -- Indonésia, República Democrática do Congo, República do Congo, São Vicente e Granadinas.
A “Unidos por Nossas Florestas” reconhece a contribuição “inestimável” dos povos indígenas, comunidades locais, mulheres e jovens na conservação das florestas tropicais.
Cobra, também, que os países desenvolvidos cumpram com seus compromissos financeiros e cita a lista: desde os 0,7% do rendimento nacional bruto de ajuda ao desenvolvimento ao financiamento climático de US$ 100 bilhões por ano em recursos novos e adicionais aos países em desenvolvimento, prometidos em 2009.
O texto chega ao último compromisso, de dezembro de 2022, previsto no Marco Global para a Biodiversidade de Kunming-Montreal para a implementação dos planos e estratégias nacionais de biodiversidade. Ali a promessa é de mobilização de US$ 200 bilhões por ano, até 2030, em recursos financeiros novos, adicionais e previsíveis.
A declaração registra as observações dos cientistas do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, o IPCC, de que a mudança do clima já está impactando as florestas tropicais em todo o mundo. Descreve “alterações na composição de espécies, biomassa, pragas e doenças, e aumento da quantidade de incêndios florestais".
Há críticas, também, ao não cumprimento, por parte de alguns países ricos, de suas metas de redução na emissão de gases-estufa. O texto lembra que são os desenvolvidos que têm que liderar a descarbonização de suas economias.
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Os 12 países reafirmam o compromisso com “a preservação das florestas, a redução das causas do desmatamento e da degradação florestal, a conservação e valoração da biodiversidade e a busca por uma transição ecológica justa, convencidos de que nossas florestas podem ser centros de desenvolvimento sustentável e produtoras de soluções para os desafios de sustentabilidade nacionais e globais, conciliando prosperidade econômica com proteção ambiental e bem-estar social”.
Fonte: O Globo