Mesmo se economia não crescer no segundo semestre, atividade terá expansão bem maior que os 2,3% esperados hoje
O PIB de 2023 deve ser revisado por bancos e corretoras de 2,3%, em média, para uma alta próxima ou maior do que 3% após o bom resultado da economia no segundo trimestre. O crescimento no período foi de 0,9%, segundo o IBGE divulgou hoje, três vezes maior que o esperado.
Como lembrou a ministra Simone Tebet, do Planejamento, mesmo que a economia fique estagnada no segundo semestre, o PIB do ano fecharia em alta de 3% na comparação com 2022. No primeiro semestre, a alta foi de 3,4% em relação à primeira metade do ano passado.
Os números positivos ajudaram a animar a bolsa e o dólar hoje, um dia após o Orçamento de 2024 ter sido mal recebido pelo mercado. Por volta das 11h20, o Ibovespa subia 1,72%, e o dólar caía 0,61%, a R$ 4,92.
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O economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale, avalia que o dado, além de ser positivo em si, é um bom prognóstico para o restante do ano. Ele deve revisar sua projeção para o PIB deste ano de 2,5% para 3%.
- Ninguém tinha um número tão alto – afirmou ao blog. - É bastante positivo e sinaliza um resto de ano também positivo.
Na avaliação do economista, a boa surpresa ainda tem dedo do agronegócio, com a safra recorde de commodities continuando a impactar positivamente a economia. Apesar do setor ter caído 0,9% em relação ao primeiro trimestre, é importante lembrar que a alta entre janeiro e março foi muito expressiva, de 21%.
- Na comparação com 2022, o primeiro semestre ainda mostra alta importante, de 17% - diz.
Vale afirma que há outros sinais positivos da atividade, como a resiliência do setor de serviços (alta de 0,6%) e o consumo das famílias (que surpreendeu com uma expansão de 0,9%, a maior alta desde o segundo trimestre do ano passado).
- Para o segundo semestre, há bons sinais - disse. A inflação baixa de alimentos, o início da queda dos juros e o Desenrola (programa de renegociação de dívidas do governo) tem potencial de ajudar a economia no quarto trimestre.
O ponto negativo, afirma, é o investimento em patamar baixo, consequência do alto patamar da taxa básica de juros (Selic).
Para a economista-chefe do banco Inter, Rafaela Vitória, a atividade deve desaquecer nos próximos meses, exatamente por causa dos juros e endividamento elevados, além de pouco acesso a crédito.
Mesmo assim, a especialista revisou sua projeção de alta de 2,2% para 2,7%.
Ela explica que a surpresa positiva dos dados do IBGE não se restringiu à comparação do segundo trimestre com o primeiro, já que houve uma alta muito maior que o esperado na comparação com 2022.
- No primeiro semestre, a atividade subiu 3,4% em relação ao mesmo período do ano passado. A nossa expectativa era de crescimento de 2,6% - apontou.
Uma das grandes surpresas foi o crescimento do consumo das famílias no segundo trimestre, que subiu 0,9%.
- Houve aceleração no consumo das famílias, com a elevação da transferência de recursos do governo, com o aumento do valor do Bolsa Família, reajuste do salário mínimo, queda da inflação e aumento da massa salarial - disse ao blog.
Ela lembra ainda que, apesar de agronegócio ter caído 0,9% no segundo trimestre, em relação ao ano passado ainda sobe 17%, o que ajuda a puxar o desempenho.
- O ponto fraco dos dados divulgados pelo IBGE é a taxa de investimento, que caiu para 17% do PIB. É um patamar baixo, e que pode deixar um potencial reduzido de crescimento para os próximos anos.
Os economistas Marco Antonio Caruso e Igor Cadilhac, do PicPay, revisaram preliminarmente sua projeção de alta de 1,9% para 3%.
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- Olhando para frente, de um lado esperamos uma desaceleração da atividade econômica em consequência dos efeitos defasados da política monetária e a dissipação do impulso no período pós-pandemia; por outro, ainda temos observado um alongamento do choque de oferta positivo, com um mercado de trabalho aquecido - disseram em relatório.
Fonte: O Globo