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Damar Hamlin está entubado, com líquido no pulmão e coração alterado
Foto: Reprodução

A necessidade de oxigênio, no entanto, foi reduzida pela metade: entenda o estado atual do jogador de futebol americano do Buffalo Bills, da NFL, e se ele corre risco de sequelas após sofrer parada cardíaca em campo

O jogador de futebol americano Damar Hamlin, do Buffalo Bills, segue em estado grave na unidade de terapia intensiva do centro médico da Universidade de Cincinnati, onde foi internado na noite de segunda-feira (2/1) após sofrer uma parada cardíaca em campo, em partida contra o Cincinnati Bengals, provavelmente em função de commotio cordis.

 

Na noite de terça, o tio do jogador, Dorrian Glenn, informou que ele segue sedado, intubado na posição pronada (de bruços), e que seu coração ainda sofre perturbações.

 

O tio do atleta disse ainda que Damar sofreu uma segunda parada cardíaca na ambulância, o que foi desmentido pela família. Abaixo, explicamos por que ele precisou de ventilação mecânica e o que significa cada informação.

 

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O QUE ACONTECEU?

 

O commotio cordis — Foto: Infoesporte

 

Damar Hamlin caiu em campo após receber um choque forte na região do tórax, teve uma parada cardiorrespiratória e necessitou de reanimação. O atleta de 24 anos teve uma morte súbita em campo depois de ser atingido no peito, mas saiu com vida após medidas rápidas de ressuscitação, com massagem cardíaca e uso de desfibrilador elétrico ainda em campo.

 

As imagens indicam que ele teve um episódio de commotio cordis, fenômeno no qual um impacto súbito e contundente no tórax num momento específico, de início da onda T, causa morte súbita na ausência de dano cardíaco: há uma perturbação elétrica, e com isso acontece a parada cardíaca e o coração não consegue ejetar sangue para o cérebro e o corpo.

 

POR QUE UM PACIENTE QUE TEVE PARADA CARDÍACA É INTUBA

 

A intubação é necessária quando há comprometimento dos pulmões, levando a um quadro de insuficiência respiratória, quando a pessoa perde a capacidade respirar normalmente sozinha. No caso de Damar, houve a entrada de líquido nos alvéolos, segundo o tio do jogador.

 

- Durante a massagem cardíaca, pode haver contusão tanto no coração quanto nos pulmões. Quando há lesão pulmonar, os alvéolos, que durante a respiração se expandem, acabam se colando e e enchendo de sangue ou de líquido inflamatório. Então o espaço que deveria ser preenchido por ar fica ocupado por líquido, gerando a necessidade de ajuda da ventilação para o paciente respirar - explica o médico cardiologista Mateus Freitas Teixeira.

 

A família do jogador revelou que a necessidade de oxigênio do jogador, que segue no respirador, diminuiu de 100% para 50%, o que é um bom sinal. Segundo Matheus, o tratamento inclui medicamentos antibióticos.

 

- Há um processo feito na medicina intensiva de diminuição progressiva da sedação e de regulação da ventilação mecânica, para que aos poucos o paciente possa voltar a respirar sozinho. O sangue que invadiu os alvéolos é reabsorvido pelo organismo e a inflamação é tratada. Só há necessidade de drenar o líquido se houver derrame no pulmão.


POR QUE É COLOCADO DE BRUÇOS?

 

Damar foi colocado de barriga para baixo, na posição pronada. Uma prática, segundo Matheus, muito comum em pacientes do Covid-19, por exemplo.

 

- Quando o pulmão está muito inflamado, pode-se chegar a um quadro de síndrome da angústia respiratória aguda (SARA), e uma das manobras usadas é colocar o paciente intubado de bruços, porque nessa posição ventila-se melhor a parte posterior do pulmão. Ele estar nessa posição mostra a gravidade do quadro - avalia o médico.

 

POR QUE O CORAÇÃO DE DAMAR SEGUE ALTERADO?

 

O momento do impacto de Damar Hamlin (de branco) — Foto: Infoesporte

 

Quando há uma perturbação elétrica no coração, muitas vezes ele precisa de tempo, monitoramento e medicamentos para que essa perturbação se dissipe. Damar provavelmente não sofreu a parada cardíaca por problema na artéria coronária ou no bombeamento do coração, e sim por uma questão exclusivamente elétrica, um função de um choque no peito.

 

O tratamento normalmente inclui medicamentos, que podem ser antiarrítmicos, visando a cura das arritmias cardíacas, e betabloqueadores, para controle da frequência cardíaca.

 

HÁ POSSIBILIDADE DE DAMAR PRECISAR DE UM CARDIODESFIBRILADOR IMPLANTÁVEL?

 

Cardiodesfibrilador interno — Foto: Istock Getty Images

Fotos: Reprodução

 

Segundo Matheus, ainda é muito cedo para saber, mas a possibilidade existe. O coração pode voltar ao ritmo normal sem a necessidade de um cardiodesfibrilador implantável (CDI), apenas com o tratamento e medicamentos. Mas se a perturbação elétrica se mantiver por muito tempo, mesmo com a terapia, pode haver a exigência da implantação do aparelho - um desfibrilador subcutâneo para pacientes que têm uma doença cardíaca de base que causa arritmias cardíacas, e que é implantado abaixo da clavícula. Quando o aparelhinho percebe uma taquicardia perigosa ou uma fibrilação ventricular, ele dá um choque interno no coração para que ele volte ao ritmo normal, de forma a evitar a parada cardíaca e a morte.

 

- Só se começa a avaliação disso quando o paciente já está estável e acordado, na fase de reabilitação, o que ainda não é o caso de Damar. Então ele pode precisar ou não precisar do CDI, não há como avaliar ainda - diz o médico.

 

Se houver a necessidade de um CDI, ele será usado pela vida toda. Há casos recentes de jogadores de futebol que voltaram a jogar mesmo usando o CDI. Christian Eriksen, da Dinamarca, e Daley Blind, da Holanda, jogaram inclusive a última Copa do Mundo, no Catar, em novembro e dezembro de 2022, mesmo sendo portadores do aparelho. Mas no caso de um esporte com tantos choques físicos como o futebol americano, as possibilidades são menores.

 

HÁ RISCO DE LESÃO CEREBRAL?

 

As chances de haver lesão cerebral, no caso de Damar, são muito pequenas. A lesão no cérebro acontece quando ele fica sem oxigenação e sem receber nutrientes em função da interrupção da circulação sanguínea. Mas o atleta foi atendido muito rapidamente, recebendo massagem cardíaca ainda em campo, para que o sangue continuasse a ser bombeado e a distribuir o oxigênio e os nutrientes pelo organismo, incluindo o cérebro.

 

ELE VAI PODER VOLTAR A JOGAR?

 

Também é cedo para afirmar que sim ou não. A tendência é que ele possa voltar aos campos após um período de reabilitação. Mas vai depender do grau de sequelas cardíacas e pulmonares.

 

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- A velocidade e a qualidade da massagem cardíaca fazem toda a diferença para haver ou não alterações ou lesões. Porque não basta massagear, há um ritmo e uma intensidade corretos para isso. E ainda está muito cedo para definir uma volta ou não ao esporte - ressalta Matheus.

 

Fonte: Eu Atleta

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