Criada em Samambaia, a atleta de 31 anos tem o pódio como missão para abrir novos caminhos para a modalidade
O badminton ainda é o caçula entre as modalidades paralímpicas. Estreou em Tóquio-2020, e promete em Paris-2024 abrir novas portas para o esporte. Exemplo claro disso é Daniele Souza, de 31 anos, primeira mulher a representar o Brasil na categoria e esperança de medalha para o país nos Jogos. Protagonista do sétimo episódio da série Équipe Brasília, especial do Correio sobre os personagens da cidade nos Jogos da capital francesa, a brasiliense da classe WH1 — para cadeirantes — joga por dois sonhos: o pódio e a representatividade.
Contando com a versão japonesa da Paralimpíada, ela será apenas a terceira atleta da delegação verde-amarela do badminton no principal torneio do mundo. A brasiliense se junta a Rogério Júnior Oliveira e Vitor Tavares, quarto colocado em Tóquio na categoria SH6 - para competidores de baixa estatura.
A história de Daniele se mistura com a trajetória do badminton no Brasil. A modalidade foi introduzida no país em 2006, pelo professor Létisson Samarone Pereira, responsável por trazer o esporte da peteca para o Distrito Federal. A capital tornou-se palco das primeiras competições oficiais em solo brasileiro e, em 2012, viu surgir de dentro do quadradinho um dos destaques com raquetes.
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A atleta paralímpica teve uma infecção hospitalar quando nasceu e, aos 11 anos, começou a ter manchas pelo corpo, que atingiram a coluna e causou paraplegia. Aos 19, a brasiliense foi inscrita pela mãe no Centro Olímpico de Samambaia e iniciou no tênis em cadeira de rodas. Porém, duas semanas depois, conheceu o badminton e viu o amor pela modalidade surgir.
"Eu não me via no esporte, mas, com o tempo, comecei a pegar gosto. No fim de 2012, o professor Albert, que foi quem me apresentou a modalidade, me inscreveu em uma competição. Fui competir contra homens e ainda conquistei quatro medalhas. Depois, parti para campeonatos nacionais", relembra, em entrevista ao Correio.
A primeira convocação para a Seleção foi em 2016 e, de lá para cá, as conquistas se tornaram mais frequentes. A primeira foi a medalha de prata no Pan-Americano da modalidade, em 2018, no Peru, seguido pelo bronze no Parapan de Lima-2019. A principal consagração veio no ano passado, quando levou para casa o segundo lugar nas duplas femininas e o ouro no simples.
Embalada pelo título no maior torneio das Américas, Daniele é esperança de pódio para o Brasil, mas divide a expectativa com a emoção de estrear no megaevento. "É muito gratificante poder estar indo para minha primeira Paralimpíada. É um misto de emoções, mas acho que faz parte. Quero dar meu máximo para ter o melhor desempenho possível, deixar meu sangue dentro da quadra", conta.
Independentemente de qualquer conquista, Daniele desempenha o papel de ser a precursora da modalidade entre as mulheres brasileiras. Primeira a representar o Brasil nos Jogos Paralímpicos, a brasiliense entende a responsabilidade que carrega, mas espera que o desempenho sirva como legado para consolidar o badminton no Brasil.
"A ansiedade está batendo, mas faz parte. Ser a primeira mulher dá aquele frio na barriga, mas estou feliz e empolgada. Espero trazer bons resultados e, se Deus quiser, que a modalidade se consolide e tenhamos mais e mais atletas", projeta.
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Até por isso, a expectativa também é de torcida grande na estreia em Paris, prevista para quinta-feira. "A galera em Brasília está super empolgada, sei que estão bastante animados. O apoio é primordial neste momento, por isso peço que todos mandem energias positivas, principalmente o pessoal do DF. Vamos juntos para cima, porque aqui é Brasil, é o nosso parabadminton", convoca.
Fonte: Correio Braziliense