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De crachá, Rudá 'bate ponto' como cão de suporte emocional na Secretaria de Saúde do estado
Foto: Reprodução

Quem circula pelas dependências da Secretaria estadual de Saúde, no Centro do Rio, já está acostumado a cruzar com Rudá pelas salas e corredores do prédio. Carismático, o caramelo da raça golden retriever faz questão de cumprimentar todos os que passam por ele. Devidamente identificado, com direito a um crachá, Rudá é um cão de suporte emocional. Há dois anos e meio, ele "bate ponto" segundas, terças e quintas, das 9h às 18h, na sede da secretaria, sempre acompanhado da tutora, Danielle Cristo, de 48 anos, que trabalha no órgão. Foi o primeiro cão do estado a receber a permissão.

 

Por volta das 10h, ele desce para interagir com os funcionários no saguão da recepção. A atribuição do simpático e delicado "cãopanheiro" é uma só: alegrar o ambiente. Após o momento de distração e relaxamento, Rudá retoma sua principal tarefa diária, que é acompanhar sua tutora.

 

Pioneiro no Brasil, o estado do Rio de Janeiro já emitiu 70 Certificados de Cães de Suporte Emocional para fins terapêuticos, desde 2022, quando a lei entrou em vigor. Com resultados terapêuticos comprovados, os cães de suporte emocional são uma das alternativas de tratamento para quem tem diagnóstico de ansiedade, pânico e depressão.

 

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A parceria entre Rudá e a tutora Danielle Cristo, que é a responsável pela emissão de Certificados de Cães de Suporte Emocional na SES, começou em 2021. Mas a relação com cães de suporte emocional é anterior à chegada do grandão caramelo. Há alguns anos, a bacharel em Direito convive com a Síndrome do Pânico e, durante a terapia, descobriu que a relação de cumplicidade entre ela e seu cão na época, um golden retriever chamado Prince, possibilitou enfrentar o transtorno com mais leveza e tranquilidade.

 

'Cãopanheiro' de trabalho dos funcionários da Secretaria estadual de Saúde do Rio — Foto: Gabriel de Paiva

'Cãopanheiro' de trabalho dos funcionários da

Secretaria estadual de Saúde do Rio

(Foto: Gabriel de Paiva)

 

— Passei por duas situações traumáticas: uma foi o falecimento de minha mãe, em 2010, e a outra o roubo do meu carro à mão armada. Depois de algum tempo de terapia, percebi que o Prince era essencial ao meu tratamento, que dou continuidade com o Rudá. O cão alivia minha solidão, reduz o estresse e me dá confiança. Antes, eu inventava desculpas para não sair. Isso não acontece agora — conta Danielle.

 

Em alguns casos, a parceria entre animal e tutor pode se dar de maneira imprevisível. Há anos enfrentando sintomas de depressão, Vânia Siqueira Cardoso, de 53 anos, teve com Estella, uma dálmata de dois anos e meio, o que ela chama de encontro de almas. Ela passava pelo viaduto do Centenário, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, no momento em que a cadelinha foi abandonada. Foi quando o animal correu em sua direção e, a partir daquele instante, as duas tiveram suas vidas transformadas.

 

Assim como Valéria Gomes Martinelli, de 58 anos, que reencontrou em Shekinah, um cão mestiço de sete anos, a alegria e confiança para seguir lutando dia a dia contra a depressão.

 

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— Carrego na minha história traumas de abandono ao longo da minha infância. Tenho uma grande ligação com o meu cachorro, que me completa. Ele é minha alegria, minha vida! Shekinah, que em hebraico significa presença de Deus, me acompanha na praia, no shopping e no restaurante. Onde quer que eu vá — conta Valéria.

 

Fonte: Extra

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