Para Dino, sucessor de Torres no Ministério da Justiça, ação da Polícia Rodoviária Federal em outubro de 2022 teve anomalias. Ex-ministro está preso por suposta omissão no 8 de janeiro.
A defesa do ex-ministro da Justiça Anderson Torres pediu à Polícia Federal o adiamento do depoimento dele, previsto para esta segunda-feira (24), no inquérito que apura as ações da Polícia Rodoviária Federal (PRF) durante as eleições.
Até a última atualização desta reportagem, a Polícia Federal ainda não havia se manifestado sobre o pedido dos advogados do ex-ministro da Justiça.
O depoimento foi determinado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, na última quinta-feira (20), depois de um pedido da PF.
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Torres está preso desde 14 de janeiro por suposta omissão nos atos golpistas de janeiro. Ele era secretário de Segurança Pública do Distrito Federal à época. Recentemente, o Ministério Público Federal defendeu que ele seja posto em liberdade e cumpra medidas cautelares.
No pedido de adiamento apresentado nesta segunda, a defesa de Torres diz que, depois que ele soube que o pedido de revogação da sua prisão preventiva, "o estado emocional e cognitivo do requerente [Torres], que já era periclitante, sofreu uma drástica piora".
Segundo a defesa de Torres, a secretaria de Saúde do Distrito Federal teria atestado, no último sábado (22), a impossibilidade de Anderson Torres "comparecer a qualquer audiência no momento por questões médicas, durante 1 semana".
'ANOMALIAS'
Um relatório do Ministério da Justiça entregue à Controladoria Geral da União (CGU) mostra que a Polícia Rodoviária Federal (PRF) fiscalizou 2.185 ônibus no Nordeste, onde Lula (PT) era favorito, contra 571 no Sudeste, entre 28 e 30 de outubro, vésperas e dia do 2º turno das eleições de 2022.
À época, o Ministério da Justiça – ao qual a PRF está subordinada – era comandado por Torres. Atual ministro da Justiça, Flávio Dino afirmou que os dados apresentados pela PRF apontam ao menos três "anomalias" na corporação durante as eleições de 2022:
concentração de operações no Nordeste;
mudanças no planejamento inicial;
e uma determinação para que a PRF atuasse em conjunto com a Polícia Federal no segundo turno.
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Quando autorizou o depoimento, Alexandre de Moraes assegurou ao ex-ministro "o direito ao silêncio e a garantia de não autoincriminação, se instado a responder a perguntas cujas respostas possam resultar em seu prejuízo".
Fonte: G1