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Desafio agora é evitar 'dupla presidência' nas próximas reuniões do Copom
Foto: Reprodução

Gabriel Galípolo foi aprovado para a presidência do Banco Central: mandato começa em janeiro de 2025

Gabriel Galípolo evitou qualquer politização dos juros, distensionou, deu boas respostas e com isso obteve o melhor resultado de sabatina de presidente do Banco Central desde 1999, quando foi iniciado esse processo. Ele disse que a polarização transforma, às vezes, um debate que é técnico em arquibancada de torcidas, e quis despolitizar. No debate ele teve sucesso, mas ainda tem muito chão até que se despolitize os juros, porque eles serão olhados como parte dessa disputa política.

 

Antes da sua posse na presidência do Banco Central, em janeiro, ele tem pela frente duas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom), nos dias 5 e 6 de novembro e em 10 e 11 de dezembro, em que haverá uma "dupla presidência". O desafio dele e do presidente do Roberto Campos é não deixar que isso aconteça. Galípolo, particularmente, está decidido a não sentar na cadeira antes da hora e se concentrar no papel de diretor de Política Monetária. Campos Neto tem o mesmo senso de responsabilidade e de ser o presidente até o último dia. Vamos observar como vai ser essa dinâmica, pois os olhares agora vão todos para Galípolo.

 

Decisões unânimes nas duas próximas reuniões podem ajudar essa despolitização. Se forem divididas, vão fomentar toda a discussão de mudança na condução do BC com a saída de Campos Netos. As próximas reuniões e comunicados serão olhados palavra a palavra.

 

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Um dos grandes desafios à frente está na manchete do Valor desta quarta-feira, os juros futuros subiram. Isso é pouco visível para a maioria das pessoas, são transações de títulos no mercado futuro, que estão em 6,7% caminhando para 7%, o que é um juro real escorchante. E esse juro do mercado futuro tem muito mais efeito para a economia do que os juros da Selic sobre o qual tanto falamos. Campos Neto e Galípolo têm que trabalhar no sentido de reduzir a tensão nesse mercado futuro e as apostas em altas muito fortes de taxa de juros no país.

 

De qualquer forma, não é trivial o que aconteceu nesta terça-feira, no Senado, Galípolo conduziu muito bem a sabatina, de um dia que parecia simples, porque todo mundo sabia que ele seria aprovado, mas que podia ter muito escorregão. Mas ele evitou os "gatilhos", que identificou que poderia levar a todos às arquibancadas.

 

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Em conversa com Campos Neto e Galípolo, o que se perceber é a meta de continuar essa passagem de comando sem turbulência, nessa que é a primeira transição de comando num Banco Central independente. A passagem de bastão do presidente escolhido por um outro grupo político, o que é institucionalmente muito interessante.

 

Fonte: O Globo

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