Representantes do governo brasileiro reforçam em Baku a promessa de Lula de acabar com desmatamento, sem dizer se a supressão legal entra na conta
Enquanto o mundo clama pelo fim do desmatamento como arma para conter a crise climática, o Brasil, detentor da maior porção de floresta tropical do planeta, esquiva-se em deixar claro quais são suas propostas neste sentido. Nesta terça-feira (12), a delegação brasileira fez sua estreia na 29º Conferência do Clima da ONU com discursos bonitos, mas sem dar detalhes sobre como pretende endereçar questões cruciais para o país.
A delegação brasileira é comandada nestes primeiros dias de COP29 pelo vice-presidente Geraldo Alckmin e conta com a presença de ministros como Marina Silva, do Meio Ambiente e Mudança do Clima, e Sônia Guajajara, dos Povos Originários. Integram também a comitiva secretários, governadores e outros membros dos poderes Executivo e Legislativo brasileiro.
O local de encontro das autoridades com a sociedade civil é o pavilhão oficial, batizado este ano de “Caminhos para a Transformação Ecológica”. Foi neste espaço, inaugurado hoje, que o país se manifestou publicamente pela primeira vez na COP29.
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Segundo o vice-presidente Alckmin, o Brasil é “o grande protagonista” dos debates sobre o enfrentamento às mudanças climáticas e tem posição de destaque na Conferência do Clima, não só por suas características ecológicas, mas também pelas suas ações relativas ao tema. “Nós temos a maior floresta tropical do mundo. Temos a energia elétrica mais limpa do mundo, com energia hidráulica, solar, eólica, biomassa. Temos o melhor biodiesel do mundo […] E o principal: [vamos] atingir o desmatamento zero”, disse Alckmin.

Foto: Reprodução
Durante coletiva de imprensa realizada no final da tarde, Marina Silva repetiu o mantra. “Já conseguimos uma redução [no desmatamento] de 45,7% em relação à Amazônia, de 25% no Cerrado, e estaremos estendendo para todos os biomas […] Reitero o que disse o vice-presidente e o presidente Lula: nosso compromisso é com o desmatamento zero. Nós queremos aumentar nossa produção por ganho de produtividade, não por expansão predatória da nossa fronteira agrícola”, declarou.
A promessa de Lula de “desmatamento zero” não apareceu agora. Ela é anterior a sua vitória nas últimas eleições e foi repetida diversas vezes durante a campanha que o levou novamente ao Palácio do Planalto.
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Em seu discurso de posse, por exemplo, ele deu destaque ao tema, defendendo que não era preciso desmatar para manter e ampliar a fronteira agrícola. “Nossa meta é alcançar o desmatamento zero na Amazônia e emissão zero de gases do efeito estufa na matriz elétrica”, disse, na ocasião. Passados quase dois anos de governo, no entanto, o presidente Lula ainda não deixou claro o que sua promessa abrange: o desmatamento total zero ou o desmatamento ilegal zero.
Fonte: O Eco