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Do que os políticos falam quando tratam do déficit. Melhor dar números aos bois
Foto: Reprodução

Bom momento da economia é prova que Haddad deve ser fortalecido; debate sobre a meta fiscal de 2024 envolve quanto poderá ser gasto em ano eleitoral

Do que nós estamos falando quando tratamos da mudança da meta? É bom dar números aos bois. Se a meta for de 0,25%, isso significa um espaço a mais de R$ 25 bilhões, e isso está dentro do intervalo de tolerância previsto pelo arcabouço fiscal. Já um déficit de 0,50% significa R$ 50 bilhões a mais para gastar. Se considerar-se essa banda de tolerância, são R$ 75 bilhões.

 

Há uma discussão interna no governo em torno desses percentuais de déficit mas o que está por trás é política. Esse debate não é sobre percentuais. É sobre o quanto de recursos que o governo poderá contar em 2024, ano de eleições municipais. Sobre se no começo do ano que vem o governo começa congelando despesas ou não, e de que tamanho será esse congelamento, ou contingenciamento, que é o nome técnico.

 

Ontem o presidente Lula disse que não quer ampliar gastos, que apenas não quer ter que contingenciar. Mas se isso é verdade, esses cerca de R$ 50 bilhões ou R$ 75 bilhões serão usados em que? Em obras, já que o ano que vem é eleitoral.

 

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Na verdade, é isso o que está sendo discutido.

 

A economia brasileira está em um bom momento. Ontem foi divulgado que a taxa de desemprego do trimestre encerrado em setembro foi de 7,7%, e o número de ocupados está em quase 100 milhões, o maior da série histórica.

 

Todos os dados são positivos: o número de desempregados caiu, aumentou a quantidade de pessoas com ocupação, se reduziu o desalento, que é quando as pessoas desistem de buscar emprego, e aumentou a renda. O país está com uma inflação que vai ficar na meta, apesar de todo o descrédito do mercado financeiro e economistas por meses.

 

Ou seja, o estado geral da economia é bom, mas o governo está nesse debate que pode dar um sinal ruim de gastança. Parte desse cenário positivo é mérito do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e o governo não pode dar um sinal de que deixou a ala gastadora vencer.

 

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A comunicação desse debate interno está um desastre completo, e o ministro Haddad tem que voltar a ser fortalecido. 

 

Fonte: O Globo

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