Moeda americana chegou a ser operada a R$ 5,86 no início das negociações; BC fará leilão de dólares hoje. Incerteza quanto a eleições de 2026 ajuda na desvalorização da divisa
O dólar abriu a quinta-feira em queda, alcançando uma desvalorização de 1,67%, aos R$ 5,86. Ontem, a moeda encerrou pela primeira vez abaixo do patamar de R$ 6 desde o fim de novembro, após incertezas sobre as eleições de 2026 e as apostas de que o Copom elevaria a taxa em um ponto percentual, o que se confirmou após o fechamento regular do mercado de câmbio.
O Banco Central elevou a Selic em um ponto percentual, a 12,25%, e afirmou que fará mais duas altas da mesma magnitude em 2025. Juros mais altos atraem capital estrangeiro em busca de rentabilidade, num momento em que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) deve reduzir a taxa de juros nos EUA. Com mais dólares no país, a moeda tende a cair.
Na avaliação de Étore Sanchez, economista da Ativa Investimentos, o tom adotado pela autarquia aponta para uma "piora da conjuntura que exigia uma ação mais enérgica por parte da autoridade".
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Em paralelo, hoje, o Banco Central afirmou que realizará duas intervenções no mercado de câmbio à vista pela manhã, no total de R$ 4 bilhões. O movimento é considerado usual nos últimos dias do ano, diante da menor liquidez da moeda (com uma diminuição do fluxo de negociação) e maior envio de remessas de dividendos para o exterior.
No último dia 2, Gabriel Galípolo, atual diretor de Política Monetária e futuro presidente da autoridade monetária, reforçou que o câmbio é flutuante e que o Banco Central só realiza esse tipo de intervenção quando detecta o que chamou de disfuncionalidade.
A última vez que o dólar havia encerrado o dia de negociações abaixo de R$ 6 foi em 28 de novembro, um dia depois da apresentação da revisão do pacote de gastos pelo governo para frear o aumento da dívida pública. O plano estima uma economia de R$ 70 bilhões.
Ainda nesta manhã, a China anunciou que desenha estímulos para aquecer a economia no ano que vem. Medidas como essa podem favorecer commodities, como o petróleo e o minério de ferro, mercadorias que o Brasil exporta em grande volume para o país asiático, o que também ajuda na desvalorização do dólar.
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Em paralelo, analistas avaliam que os procedimentos pelos quais o presidente Lula passou nos últimos dias devem afastá-lo de uma eventual disputa eleitoral em 2026, abrindo espaço para um governo pró-mercado.
Fonte: O Globo