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Dólar fecha em R$ 5,05. Saiba por que a moeda americana caiu tanto
Foto: Reprodução

Segundo especialistas, valorização do real tem relação com taxa de juros americana e estímulos à economia chinesa

O dólar terminou o dia de hoje com queda de 1,44%, cotado a R$ 5,0562, mesmo diante de tantas incertezas mundo afora, como o conflito entre Israel e Hamas que faz centenas de vítimas. Esse é o menor valor desde 29 de setembro. A intensificação da valorização do real em relação à moeda americana iniciada ontem representa uma reversão na tendência de alta do dólar que estava em curso até a semana passada.

 

Considerando a última sexta-feira, quando a moeda atingiu o pico de R$ 5,22 e fechou a R$ 5,16, a desvalorização do dólar nesta semana já é de pouco mais de 2%. Mas o que vem ajudando o real a se valorizar diante de um contexto internacional tão complicado?


Bruno Komura, analista da Potenza Capital, explica que a aversão a risco provocada pelo conflito do Oriente Médio está diminuindo, ao passo que a disputa vem sendo vista mais como uma questão mais humanitária do que econômica:

 

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— Israel não tem tanta representatividade em produção de commodities e tecnologia. O problema será se o Irã entrar na disputa, o que pode afetar a oferta do petróleo, aumentando preços e pressionando a inflação.

 

Depois de uma alta superior a 4% ontem no preço do Brent, tipo de petróleo usado como referência para petroleiras no Brasil, o petróleo encerrou as negociações em queda hoje, a US$ 87,65 o barril, o que diminui a expectativa de que uma novo fator inflacionário pudessem tornar necessárias maiores taxas de juros nos EUA, que já estão no patamar mais alto desde 2001.

 

Somado a isso, membros do Federal Reserve (o banco central dos EUA) vêm afirmando nesta semana que a taxa de juros americana está em nível suficientemente restritivo para fazer a inflação voltar à meta de 2%. As declarações fizeram mais de 85% dos analistas apostarem em uma nova pausa no ciclo de alta de juros na próxima reunião, segundo a ferramenta do CME Group.

 

Como consequência, os rendimentos dos títulos americanos de dez anos caíram até 0,18 pontos percentuais, para 4,62%, reduzindo o interesse na renda fixa dos Estados Unidos, o que favorece os mercados emergentes, como o Brasil. Reduzida a fuga de capital estrangeiro e com maior reserva de dólares no país, o real se valoriza.

 

— Nas últimas semanas, os treasuries (como são chamados os títulos do Tesouro americano) subiram bastante, atingindo recordes de mais de 15 anos, fato que prejudicava os investimentos em ativos de risco. Porém, nesta semana, os treasuries vêm apresentando correção, e os juros futuros brasileiros seguem o movimento — explica Elcio Cardozo, sócio da Matriz Capital. — Esta queda dos juros futuros em ambos os países favorece a performance das demais moedas frente ao dólar.

 

No Brasil, por volta das 17 horas, a taxa de juros DI para janeiro de 2026 passava de 10,670% a 10,540%. Já a DI com vencimento em janeiro de 2030 caía de 11,520% para 11,410%

 

A volatilidade vista nos últimos dias, afirma Danilo Igliori, economista-chefe da Nomad, é esperada visto que há dificuldades para entender os impactos das mudanças que emergiram após a pandemia.

 

— Os juros nos EUA são os principais preços da economia global e impactam a atratividade relativa de todas as outras classes de ativos. Particularmente em economias emergentes, como o Brasil, o principal canal é o chamado diferencial de taxas de juros (em relação à taxa dos EUA). Quanto menor for esse diferencial, menor é a atratividade dos ativos brasileiros, aumentando a pressão para depreciação cambial — avalia.


Em sua visão, além da pausa na taxa de juros norte-americana, ainda há um fator adicional que contribui para a valorização do real: a expectativa de novos estímulos econômicos na China, que possam aquecer o mercado de commodities, beneficiando empresas brasileiras como a Vale. Sinais dados pela segunda maior economia do mundo hoje também ajudaram a acalmar os investidores.

 

— Se a economia da China voltar ter fôlego, os chineses vão acabar comprando mais commodity da gente. Isso é positivo para a nossa balança comercial, pois acaba entrando muito capital estrangeiro no Brasil, o que puxa o dólar pra baixo.

 

A divisa, no entanto, não deve cair abaixo do patamar dos R$ 5 — preço projetado pelo mais recente Boletim Focus para o dólar em dezembro de 2023 —, na opinião de Diego Costa, head de câmbio para Norte e Nordeste da B&T Câmbio.

 

Isso só será possível, segundo ele, se os próximos indicadores econômicos a serem divulgados sugerirem que a inflação está mais próxima à meta.

 

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— O câmbio segue sensível às condições macroeconômicas globais e às perspectivas de políticas monetárias. A recente fuga de capital em meio à escalada da aversão ao risco se reverte, à medida que as condições globais tornam as divisas de maior risco, como o real, mais atraentes — diz Costa.

 

Fonte: O Globo

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