Candidato do PSOL precisa buscar justificativas para se retratar de críticas a Tabata Amaral e trazer o vice-presidente, alvo de desavenças no passado, para o seu palanque
Após uma conquista importante com o anúncio do apoio de Tabata Amaral (PSB) à sua candidatura, Guilherme Boulos (PSOL) teve que lidar com uma situação inusitada. Se o apoio da deputada de certa forma liberou o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e Márcio França (PSB) para ingressarem subirem no seu palanque, ao mesmo tempo colocou o ex-líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) em uma saia-justa. Egresso do movimento social, Boulos fez duras críticas ao ex-tucano no passado, principalmente na disputa pela presidência de 2018, quando ambos concorreram à presidência, e que se estenderam para 2022.
O psolista, que ainda estuda como trazer o vice-presidente para seu palanque neste segundo turno, já disse que se recusava a elogiar Alckmin, levantou críticas envolvendo a desvio de dinheiro das merendas das escolas durante a gestão tucana e afirmou, durante debate, que Alckmin era comparável a Sergio Cabral, ex-governador do Rio de Janeiro, com a única diferença sendo a que o ex-tucano não estava preso.
Como resposta, Boulos ouviu críticas do vice-presidente que hoje são munição da direita, envolvendo a atuação do agora deputado federal no MTST. Alckmin chegou a explorar a "invasão de propriedades" para criticar o psolista.
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Agora, Boulos repete o movimento do ex-presidente Lula, que teve que encarar uma série de declarações passadas vir a tona após anunciar Alckmin como seu parceiro de chapa.
— O que mudou foi o Brasil. Nessa mesma época, o Lula e o Geraldo eram adversários e se criticavam com mais dureza do que as minhas críticas ao Alckmin. O que mudou não foi a personalidade das pessoas — já disse Boulos sobre o tema durante sabatina promovida pela CBN/Valor Econômico e O GLOBO.
O clima do psolista também não é dos melhores com Tabata, que afirma que, apesar do voto de convicção, não vai subir no seu palanque.
Durante esta campanha, Boulos nunca fez críticas diretas a Tabata, mas, por diversas vezes, foi acusado de ignorar a adversária. O psolista dizia que seu embate era com o bolsonarismo e não com alguém do “seu campo”.
Uma das principais críticas de Tabata ao adversário foi quando repercutiu dados de uma pesquisa de intenção de votos divulgada pelo instituto Real Time Big Data, onde, ao misturar uma série de dados, Boulos deixou a então pré-candidata de fora da pesquisa.
O embaraço, que não é novidade no campo político, é presente também no segundo escalão da chapa. A vice de Boulos, Marta Suplicy (PT), deixou o PT com críticas à sigla e com um voto de impeachment para Dilma Rousseff (PT).
Seu retorno à legenda após anos distante, quando chegou a integrar a gestão de Ricardo Nunes no cargo de secretária de Relações Internacionais, foi criticada por Luiza Erundina (PSOL) e por alguns membros do diretório municipal do PT durante as reuniões que definiram seu retorno para a berço petista.
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Apesar de atualmente dividir o palco com Marta, em meados deste ano Erundina afirmou que o retorno da ex-prefeita para o PT era um “equívoco”. A psolista, que já concorreu ao lado de Boulos em sua campanha para presidência, repetiu diversas vezes que suas críticas à Marta eram do âmbito político, e que entendia a aliança para a chapa deste ano.
Fonte: O Globo