No passado, pré-candidatos que permaneceram até o fim acabaram por prejudicar os vencedores das primárias de seus partidos na votação presidencial meses depois
Donald Trump parece destinado a ser o candidato republicano contra o democrata Joe Biden em novembro. A única incerteza é sobre quando Nikki Haley desistirá da candidatura após as derrotas em Iowa e New Hampshire, além de estar bem atrás do ex-presidente nas pesquisas em quase todos os outros estados americanos. Sua permanência dependerá de sua capacidade de manter a arrecadação de fundos e de resistir à enorme pressão do partido para que deixe de lado a disputa.
Caso supere esses obstáculos e prossiga nas primárias, Haley pode prejudicar a candidatura de Trump para a Casa Branca, ainda que seja derrotada por uma ampla margem. No passado, pré-candidatos que permaneceram até o fim acabaram por prejudicar os vencedores das primárias de seus partidos na votação presidencial meses depois.
As imagens dos então presidentes Jimmy Carter e George Bush pai ficaram arranhadas pelos seus respectivos adversários nas primárias e ambos sofreram derrotas nas suas tentativas de reeleição em 1980 e 1992.
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Carter enfrentava uma grave crise internacional com os reféns americanos na Embaixada dos EUA em Teerã quando precisou disputar as primárias contra o senador Ted Kennedy, irmão de John Kennedy. Foram meses de batalhas que terminaram apenas na convenção democrata.
O incumbente sobreviveu ferido politicamente para disputar a reeleição e acabou derrotado. Claro que não dá para culpar apenas as primárias, já que seu rival Ronald Reagan era forte e a crise iraniana terminou apenas no último minuto do seu mandato. Mas Kennedy com certeza atrapalhou a candidatura do seu companheiro democrata.
No caso de Bush pai, Pat Buchanan não abandonou as primárias mesmo sendo derrotado em praticamente todos os estados. Líder de um movimento ultraconservador, decidiu desafiar o presidente até o fim, conquistando cerca de um terço dos votos nas prévias.
A candidatura à reeleição acabou enfraquecida e abriu espaço para a entrada do bilionário Ross Perot, também da direita, que acabou retirando votos fundamentais do republicano, que enfrentava também uma crise econômica. Bill Clinton, democrata, foi o beneficiado e chegou à Casa Branca.
Hillary Clinton não era presidente, mas concorreu nas primárias como se fosse. Contou com todo o apoio do establishment do Partido Democrata e o histórico de ex-secretária de Estado, ex-senadora e ex-primeira-dama.
Nenhum nome forte do partido, incluindo o então vice-presidente Biden, a desafiou. Somente o senador Bernie Sanders, que é independente e à esquerda dos democratas, decidiu concorrer como forma de protesto e com uma agenda mais progressista.
Com enorme apoio de jovens, persistiu na disputa das primárias até o final, vencendo Hillary em alguns estados. Suas críticas à ex-secretária de Estado impactaram de forma irreversível na popularidade dela. Embora vitoriosa nas primárias, acabou derrotada por Trump no Colégio Eleitoral.
Para os democratas, o melhor cenário seria o de Haley ficar na disputa, mas com Trump sendo o vencedor. O desgaste seria grande, assim como o gasto de fundos de campanha que poderiam ser usados nas eleições gerais contra Biden.
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Por esse motivo, nos próximos dias, a pressão republicana para Haley desistir se intensificará e, certamente, a pré-candidata, apesar do discurso de terça à noite, deve estar reavaliando a lógica de persistir na disputa. Se permanecer, atrapalhará Trump e ajudará Biden.
Fonte:O Globo