Nesta quinta-feira (30), dia que antecede o aniversário do golpe militar de 1964, marco do início da ditadura militar que impôs um dos períodos mais sombrios da História brasileira, o Ministério dos Direitos Humanos do governo Lula, liderado por Silvio Almeida, realizou a primeira sessão pública da Comissão de Anistia, que foi reformulada após ser aparelhada no governo Bolsonaro.
A Comissão, composta por 16 membros, concedeu anistia e reparação - que tinham sido negadas no governo anterior - a 4 perseguidos políticos da ditadura: Romário Cezar Schettino, Claudia de Arruda Campos, José Pedro da Silva e o deputado federal Ivan Valente (PSOL-SP), que foi preso e torturado pelos militares.
Com o ato, todos receberam oficialmente o pedido de perdão do Estado brasileiro pelas violações que sofreram.
No caso do parlamentar do PSOL, a reparação consiste em uma indenização de R$ 200 mil, que será pago de forma parcelada pelo governo federal.
Veja também

Marcos do Val admite que tramou para blindar Bolsonaro de Moraes
"Hoje, 30 de março, finalmente foi julgado por uma Comissão de Anistia de verdade o nosso processo de Anistia que vem desde minha clandestinidade, prisão, em 1977. Fomos anistiados e tivemos o reconhecimento do perdão do Estado brasileiro em relação a nossa história, trajetória política, luta contra a ditadura militar e contra o governo genocida de Bolsonaro. Por isso nossa luta continua. Ditadura nunca mais. Tortura nunca mais. Democracia sempre", disse Ivan Valente.
CRIME DE MOURÃO
Enquanto o Estado brasileiro reconhece os crimes praticados contra militantes políticos, os saudosistas da ditadura, no entanto, seguem elogiando de forma criminosa o período. É o caso do general da reserva e senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS), que utilizou a tribuna do Senado, no mesmo dia em que a Comissão de Anistia retomou seus trabalhos, para chamar, mais uma vez, o golpe de 1964 de "revolução", fazendo revisionismo histórico.
Apesar da Comissão Nacional da Verdade (CNV) ter reconhecido 434 mortes e desaparecimentos políticos durante a ditadura militar brasileira - isso sem contar as prisões ilegais e torturas -, para Mourão, o período deixou "importante legado para o processo democrático" - o que é totalmente falso, já que o que houve foi exatamente o contrário, com o Estado institucionalizando a censura, a perseguição e a violência.
"É praticamente impossível não encontrar na vida do país os traços e antecedentes das reformas empreendidas naquele período, que dinamizaram sua sociedade e, acima de tudo, fortaleceram a democracia brasileira, que, pela primeira vez na história republicana, teve um regime inaugurado sem golpe de Estado. (...)
Ao contrário dos que insistem em tirar o 31 de março do seu lugar, que é a história, os militares aprenderam com ela", mentiu o senador, que por ter feito declarações do tipo em outros momentos já ganhou o apelido de "Paquita da Ditadura".
Curtiu? Siga o PORTAL DO ZACARIAS no Facebook, Twitter e no Instagram.
Entre no nosso Grupo de WhatApp e Telegram
A fala de Mourão em elogio aos anos de chumbo pode ser considerada criminosa, já que o Código Penal Brasileiro, em seus artigos 286 e 287, classifica o ato de incitar, elogiar ou discursar publicamente em louvor de prática criminosa ou de autor de crime como como apologia ao crime, que tem pena de detenção de 3 a 6 meses e multa.
Fonte: Revista Fórum