Juscelino Filho diz apoiar novo mandato do presidente, mas que partido ainda vai avaliar se terá candidato em 2026; deputado licenciado, ele defende poder do Congresso sobre o Orçamento e expõe plano de taxar plataformas de redes sociais
Nome do União Brasil no governo de Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro das Comunicações, Juscelino Filho, diz que a manutenção da aliança do partido com o petista não está garantida em 2026, quando o atual presidente deve tentar a reeleição. Em entrevista ao GLOBO, o ministro afirma que a divisão interna da legenda sempre esteve clara para o Palácio do Planalto e que essa questão ainda deverá ser debatida pela sigla, que já tem até pré-candidato à Presidência — o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, de quem Juscelino se diz amigo e não poupa elogios.
Após ter o cargo ameaçado pelas dificuldades de articulação política do governo no Congresso, Juscelino sai em defesa do União sob o argumento de que o partido entrega quantidade equivalente de votos de outros aliados, como MDB e PSD. E, diante da queda de braço do governo com o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), pelo controle do Orçamento, o ministro afirma que os parlamentares conhecem bem as necessidades de suas bases. “Cada um tem que cumprir seu papel dentro da execução da peça orçamentária”, diz ele.
Estou do lado do povo. A população tem que ser beneficiada com recurso público. Cabe aos parlamentares indicar esses recursos aos estados e aos municípios para chegarem a algumas políticas públicas na ponta. Acredito que todo parlamentar, em seu estado, conhece sua base e compreende as necessidades para poder fazer essas indicações. Defendo, como sempre defendi, a execução desse orçamento indicado pelo Parlamento.
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Não vou comentar a posição de cada um. É a maneira dele de se posicionar. Eu acho que temos que trabalhar para poder evitar qualquer tipo de tensionamento.
Quanto a essas investigações, tenho muita tranquilidade, sempre me coloquei à disposição (para dar explicações). Cabe ao parlamentar fazer a indicação das emendas, de como vai ser executado por prefeituras, governos locais. Dali para frente cabe ao Executivo executar e os órgão de controle fiscalizar. Cada um com seu papel dentro do estabelecido para a execução do Orçamento. E é importante colocar que essa empresa que estava executando essa obra (investigada pela PF) é uma empresa de grande porte no Maranhão, que executa dezenas ou centenas de obras. Não é nada pontual.
Eu não falo pelo União Brasil. Sou deputado pelo União Brasil, hoje represento o partido no ministério, mas a posição do nosso partido sempre foi muito clara. Disseram que o União não entregou (votos), mas isso não é verdade. Se balizar em números reais, o União entrega equiparadamente o que o PSD e o MDB entregam na Câmara. O União é um partido muito maior e que sempre foi muito claro que tem vários deputados eleitos mais próximos da direita, que não acompanham o governo. A posição do União sobre a reeleição vai ser discutida no momento adequado, se vai ter candidatura própria, se não vai, para onde vai.
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O governador Caiado é um grande quadro, meu amigo, um quadro que eu respeito muito, um dos grandes líderes do nosso país. É um homem público que tem estatura, tamanho, envergadura e capacidade de gestão para disputar o cargo que ele quiser disputar. Agora, a posição do União Brasil vai ser avaliada no momento certo se ele se colocar para o partido. Acredito que isso vai ser mais à frente, não é hoje.
Fonte: O Globo